Na TV, Alexandre Frota ataca a “ditadura bolsonarista”

"Ele só quer fazer as coisas do jeito dele. Se algo não o agrada, ele muda. Do Bolsonaro, hoje, eu espero tudo", disse o deputado federal

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 20/08/2019 0:00

Recém-chegado ao ninho tucano, depois de ter siso expulso do PSL, o deputado federal Alexandre Frota, ex-ator pornô que ganhou status de político de primeira grandeza, foi o convidado desta segunda-feira (19/08/2019) do programa Roda Viva, da TV Cultura.

O parlamentar encarou a bancada de jornalistas sem mudar suas características: humor mordaz, frases de efeito e ataques diretos aos desafetos, entre eles, o agora ex-amigo presidente Jair Bolsonaro (PSL), que, segundo ele, comanda uma “ditadura bolsonarista”.

Para Frota, Jair, como se refere às vezes ao presidente, mudou muito depois que vestiu a faixa presidencial. “Ele só quer fazer as coisas do jeito dele. Não está disposto ao diálogo. É uma outra pessoa. Era aberto, comunicativo. Vejo ele tomando atitudes e interferindo no Coaf, na Receita, na PF. Se algo não o agrada, ele muda. Do Bolsonaro, hoje, eu espero tudo”, disse.

O deputado minimiza o papel do presidente na aprovação da reforma da Previdência. “O que ele fez foi apenas levar o texto da Previdência na Câmara”, ressaltou. Segundo ele, o grande “fiador” da reforma é o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Questionado sobre quem o presidente ouve e quem o influencia, Frota citou três nomes: Filipe G. Martins, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, o escritor Olavo de Carvalho e o filho “Zero 2”, Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). “Bolsonaro precisa descer do palanque, se preservar”, aconselhou.

“Ele quer ser reeleito, por isso as declarações que faz”, disse, ao responder se a postura do presidente de falar praticamente todos os dias com a imprensa seria uma “estratégia”. “Em apenas dois dias ele não causou problemas: quando o Twitter estava fora do ar e quando tirou um dente”.

Resistência dos tucanos
Ainda enfrentando resistências dentro da nova legenda, o PSDB, onde entrou com as bençãos do governador de São Paulo, João Doria, Alexandre Frota disse que seria surpresa se tal postura contrária a ele não existisse.

Mas garantiu que vai respeitar todos da ala mais velha do partido, embora tenha dito que não se arrepende dos ataques que fez aos tucanos na época da campanha, especificamente a Geraldo Alckmin, que disputou a Presidência da República. “Não retiro nada do que disse. Estava em campanha. Não poderia passar a mão na cabeça do adversário”, destacou.

Antecipando que trabalhará pela reeleição do prefeito de São Paulo, Bruno Covas – “se ele for candidato” -, Frota garantiu que poderá atuar com mais autonomia na legenda tucana. Não terei mais o peso do governo nas minhas costas”, afirmou.

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