Eduardo Jorge defende um governo “mais Brasil e menos Brasília”

Em entrevista ao Metrópoles, candidato a vice de Marina Silva disse que um governo sério "tem que começar a cortar na cúpula"

Gabriel Foster/MetrópolesGabriel Foster/Metrópoles

atualizado 26/09/2018 17:08

O médico sanitarista Eduardo Jorge (PV) é o companheiro de chapa da ex-ministra Marina Silva (Rede) na disputa à Presidência da República. Ele também participou nesta quarta-feira (26/9) da série de sabatinas que o Metrópoles, em parceria com a Articulação de Carreiras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (Arca), promove com os candidatos a vice-presidente da República.

O candidato defendeu um governo com a máxima “mais Brasil e menos Brasília”. Segundo Eduardo Jorge, se o país quiser um governo sério, de austeridade, “tem que começar a cortar na cúpula”. Segundo o médico, esse comando está em Brasília, cidade que abriga um “governo federal obeso, de desperdício, que construiu prédios gigantescos”. Ele brincou sobre a paisagem da capital para falar sobre investimentos exagerados em obras para abrigar órgãos públicos.

“Passo, às vezes, dois anos sem ir a Brasília. Quando chego lá eu digo: ‘O que é isso? Um prédio novo, inteirinho, todo espelhado?’. Dizem: ‘Ah, é aquele outro órgão’. Enquanto isso, falta remédio em uma unidade básica [de saúde] no interior da Paraíba.”

O postulante diz que o governo acaba por construir coisas absurdas e que poderiam ser evitadas. “Não tem nada a ver com os trabalhadores de Brasília, mas com um governo”.

Assista aqui:

Por compromissos previamente agendados, Jorge não pôde se deslocar até Brasília. Mas ele foi entrevistado em São Paulo pelo jornalista Eumano Silva. A íntegra da sabatina, com duração total de meia hora, pode ser vista no site e nos canais do Metrópoles nas redes sociais: Facebook, Twitter e YouTube.

Para Eduardo Jorge, o presidente Michel Temer (MDB) não passa de um “bode expiatório”. Na visão dele, os problemas econômicos que o país enfrenta são frutos de gestões passadas do Partido dos Trabalhadores.

“O vice escolhido por eles [PT], não só uma vez, mas duas. É bom colocar isso. [Falam] que tudo que existe de ruim no Brasil é culpa do Michel Temer, o ‘golpista’. [Essa fala] É a mais tradicional máquina de gerar bode expiatório o qual a esquerda ortodoxa e marxista é mestre”, disparou.

Despesas públicas
O candidato defendeu medidas de contenção de despesas, mas critica a forma como a PEC do Teto dos Gastos foi feita. Segundo ele, o projeto é resultado do “descalabro” e “falência” da gestão Dilma Rousseff (PT) e de Temer.

Tudo demais é veneno. Essa medida constitucional veio por causa do descalabro, da falência, da irresponsabilidade do governo Lula-Dilma-Temer-PT-MDB com as contas públicas do país. Foi feita para corrigir algo pernicioso que jogou o país na maior crise. O remédio é de tal ordem e desagrado que termina virando veneno.

Eduardo Jorge

O candidato também defendeu mudanças no sistema previdenciário. “A reforma da previdência é uma necessidade de relançar o Brasil em longo prazo à economia sustentável. Quem primeiro falou isso fui eu”, disse Eduardo Jorge, lembrando que, ainda na década de 1990, propôs criar um sistema único de previdência e fazer sistema de transição dos direitos adquiridos

Décadas de militância
Eduardo Jorge participou da fundação do PT na década de 1980. Deputado Federal constituinte, exerceu quatro mandatos na Câmara Federal, onde ficou até 2003. Também foi secretário de Saúde em São Paulo nas gestões das ex-prefeitas Luiza Erundina e Martha Suplicy, quando ambas eram das fileiras petistas.

Ele foi um dos principais responsáveis pela regulamentação das leis do Sistema Único de Saúde (SUS) em São Paulo e por dobrar o número de médicos na cidade para o Saúde da Família, programa cujo objetivo é dar atenção básica à população por meio de médicos especialistas.

Dirigente do PT por 20 anos, deixou a sigla por “ter perdido a confiança” nos outros líderes petistas. Em 2002, Jorge filiou-se ao PV. Três anos depois, em 2005, assumiu a Secretaria do Verde e Meio Ambiente nas gestão de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (à época no DEM), na Prefeitura de São Paulo.

Foi candidato do PV à Presidência da República em 2014. No segundo turno, apoiou o candidato tucano, Aécio Neves. Nestas eleições de 2018, volta à corrida presidencial, agora como vice de Marina.

Com a palavra, os vices
Também nesta quarta (26), foram entrevistados Germano Rigotto, vice de Henrique Meirelles (ambos do MDB); Sônia Guajajara, companheira de chapa de Guilherme Boulos (PSol); e Ana Amélia (PP), vice do tucano Geraldo Alckmin. Na sexta-feira (28), será a vez de Manuela D’Ávila, candidata a vice de Fernando Haddad (PT). No domingo (30), o Metrópoles sabatina Kátia Abreu, da chapa encabeçada por Ciro Gomes (PDT).

Entre os temas a serem questionados aos candidatos a vice, estão o próprio financiamento do Estado e da infraestrutura necessária ao desenvolvimento do país, reforma da Previdência, gestão territorial, saúde, educação, reforma trabalhista, matriz energética e redução das desigualdades.

Parceira nessa série de entrevistas, a Arca reúne 12 instituições representativas dos servidores de carreiras da administração direta e indireta: Associação dos Funcionários do BNDES (Afbndes); Associação dos Funcionários do Ipea (Afipea); Associação Latino-Americana de Juízes do Trabalho (Aljt); Associação Nacional da Carreira de Desenvolvimento de Políticas Sociais (Andeps); Associação Nacional dos Servidores Ambientais (Ascema); Associação dos Servidores do CNPq (Ascon); Associação Nacional dos Servidores do MCTIC (Asct); Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN); Associação dos Servidores do Ministério da Cultura (AsMinc); Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento (Assecor); Indigenistas Associados (INA); e Associação Nacional dos Auditores e Técnicos Federais de Finanças e Controle (Unacon).

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