Manifestantes pedem a Bolsonaro inclusão de autistas no Censo 2020

Grupo esteve em frente ao Palácio da Alvorada. Presidente conversou com eles, mas disse que não os atenderia caso houvesse novos protestos

Natália Lázaro/MetrópolesNatália Lázaro/Metrópoles

atualizado 18/07/2019 11:24

Um grupo de mães e crianças se reuniu em frente ao Palácio da Alvorada, nesta quinta-feira (18/07/2019), para pedir ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) para não vetar projeto de lei que inclui autistas no Censo 2020.

Bolsonaro já sinalizou que deve vetar o trecho que obriga a inclusão dos autistas na pesquisa que analisa as características e condições de vida da população.

O grupo se reuniu por volta das 8h em frente à residência do presidente. Carregando faixas e cartazes com a frase “somos autistas e temos direitos”, as crianças pediram pela inclusão do autista no Censo e chamavam pelo “tio Bolsonaro”.

Por volta das 9h30, o presidente deixou a residência e foi falar com os manifestantes. “Tem mais ou menos quantos autistas no Brasil, você tem ideia?”, perguntou Bolsonaro a um pai. “Dois milhões”, respondeu uma mãe.

A conversa continuou: “Você quer colocar seu filho no BPC [Benefício de Prestação Continuada]?”, questionou, ao levar em conta a reforma da Previdência. “Meu filho não vai entrar no BPC, queremos que ele esteja no censo”, retrucou o pai. “Quer colocar só nas perguntas e respostas?” Se for só isso, eu faço”, completou.

Bolsonaro confessou que o medo é a sociedade pressioná-lo para dar mais um benefício, mas que não há disposição econômica para isso. O chefe do Executivo disse ainda que não atenderá mais as crianças caso os pais voltem a fazer manifestações em frente ao palácio. “Se daqui para frente tiver mais protestos, vamos parar por aí”, sinalizou. “Eu quero atender todo mundo, mas dessa forma de discutir, as coisas não funcionam desse jeito”, completou.

À imprensa, Bolsonaro comentou que, por ele, os autistas estariam no Censo. Mas o presidente afirmou que essa é uma decisão a ser tomada pela equipe econômica, devido a fraudes que possam ocorrer com a inclusão. “A pessoa que vai fazer o Censo, qual o preparo dela para dizer se essa pessoa é autista ou não, vai acreditar no pai ou não. Confio em todo mundo, pelo amor de Deus”, argumentou.

Na semana passada, Bolsonaro publicou um vídeo no Twitter no qual a presidente do IBGE, Susana Guerra, explicava por que os autistas devem ser inclusos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), e não no Censo.

Segundo uma das mães, que preferiu não se identificar, o grupo quer se encontrar com a diretoria do IBGE para questionar as principais demandas.

A pesquisa recebeu cortes da equipe econômica do presidente, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e teve o número de perguntas reduzida de 112 para 76. Com a ação, Bolsonaro ficou em uma saia justa com os autistas e deve vetar a inclusão dos deficientes.

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