Imóvel da esposa de Flávio é ligado a médico réu por esquema no Rio

Fernanda Bolsonaro também foi autuada pela Vigilância Sanitária por conter produtos vencidos em seu consultório

HUGO BARRETO/MetrópolesHUGO BARRETO/Metrópoles

atualizado 17/05/2019 10:55

Brasília e Rio de Janeiro – A dentista Fernanda Antunes Bolsonaro, esposa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), teve os seus sigilos bancário e fiscal quebrados por ordem da Justiça nas investigações sobre as movimentações bancárias do seu marido.

Em parceria, os dois possuem uma sala comercial na Barra da Tijuca (RJ), onde funciona a clínica da ortodontista. No mesmo local, também está registrada a empresa Angiocare Serviços Médicos LTDA, cujo proprietário, Carlos Henrique Eiras Falcão, é réu em uma investigação sobre uma quadrilha suspeita de praticar reuso de materiais médicos.

O cardiologista foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por “expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente” e “falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais”. Em 2016, tornou-se réu junto a outros 18 médicos.

A sala de Fernanda, onde ele registrou a sua empresa, não é citada nas investigações. Os nomes dela e de Flávio tampouco.

O MPRJ entendeu que, na condição de coordenador da área de Hemodinâmica no Hospital das Clínicas de Niterói, Eiras Falcão foi omisso. A instituição, assim como outros hospitais no Rio, foi alvo de mandado de busca e apreensão de materiais supostamente reprocessados de maneira ilegal.

Nem Eiras Falcão nem a família de Flávio souberam explicar a origem da relação. Procurado pelo Metrópoles, o médico disse apenas que, no exercício da profissão, recebe honorário por meio de firmas prestadoras de serviços.

Segundo Eiras Falcão, essas firmas precisam ser registradas em endereços comerciais e são compostas por médicos, sendo um deles o fornecedor do endereço na Barra da Tijuca. Questionado, então, quem era o médico, ele disse que não se lembrava. Ao ser confrontando com o fato de seu nome constar nos registros da Receita Federal, ele desligou o telefone.

Flávio foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos até a última edição desta reportagem. Fernanda não retornou aos pedidos de entrevista enviados ao seu consultório.

A empresa Angiocare, cujos sócios-proprietários são Carlos Henrique e o médico cardiologista Jose Antonio Correa da Silva, não foi registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro, mas está cadastrada na Receita desde 1998 no endereço mencionado. Na ocasião, o imóvel pertencia aos sogros de Flávio. O pai de Fernanda, o médico investigado e Jose Antonio são associados da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI).

Confira documentos:

 

O imóvel foi doado para Fernanda em 2011. Por ser casado em regime de comunhão parcial de bens, também passou a ser propriedade do senador. Nas eleições de 2018, uma sala comercial na Barra da Tijuca foi declarada por ele ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Autuação pela Vigilância Sanitária
Em julho de 2018, Fernanda foi autuada pela Vigilância Sanitária, que encontrou no seu consultório (veja galeria abaixo) materiais clínicos, que seriam usados em pacientes, fora do prazo de validade. A dentista foi multada, mas não pagou o valor de R$ 2 mil no prazo. Na época, seu nome foi parar na dívida ativa do município. O auto de infração já foi quitado e, atualmente, o seu nome não consta nos registros dos devedores.

Consultório médico e odontológico
A sala em que a Angiocare foi cadastrada funciona no segundo andar de um dos blocos do shopping Downtown, na movimentada Avenida das Américas, no Rio. O espaço que foi parar no nome de Flávio é pequeno, mas funciona dividido em duas partes. Em uma delas, atende a dentista Fernanda Bolsonaro. Em outra, a mãe dela, a médica ginecologista Leila Antunes Figueira.  

A reportagem foi até o local. Além de assentos para a secretária e pacientes, havia uma televisão e duas portas que dão para o interior do imóvel.

Sem conversar muito, no final de janeiro deste ano, a funcionária que trabalha no local informou que a agenda de Fernanda estava restrita, visto que a dentista acompanharia o marido em Brasília. Os valores dos serviços prestados não foram informados. A mãe, Leila, estava atendendo uma paciente naquele momento.

Procurada novamente nessa quinta-feira (16/05/2019), uma mensagem gravada pela secretária no telefone da clínica informou que o atendimento estava suspenso e seria retomado nesta sexta (17/05/2019).

 

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