Guedes: “Tem que internar quem não entender que precisa haver reforma”

Chamado pelo deputado Zeca Dirceu de “tchutchuca da turma privilegiada”, o ministro reagiu: “É sua mãe, sua avó, sua família inteira”

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 03/04/2019 22:55

Durou pouco a trégua estabelecida entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e os deputados da oposição, que travaram uma verdadeira guerra de nervos nesta quarta-feira (3/4). Na audiência reservada para uma exposição do ministro sobre a reforma da Previdência, a paz durou exatamente o tempo de um intervalo solicitado por ele para “dar um pulinho no banheiro”. Os impropérios de lado a lado só acabaram com o fim da sessão.

No retorno, uma declaração de Guedes pôs os ânimos novamente em ebulição. “Ela [a reforma] é necessária? Sinceramente, quem acha que ela não é necessária? É um problema sério, é caso de internamento”, declarou.

Houve alvoroço entre os deputados que participavam da audiência. Em parte, parlamentares se agitaram acreditando que o ministro tivesse cometido um erro gramatical ao usar a palavra “internamento”, que está correta. Outros consideraram a frase autoritária.

Guedes prontamente procurou se explicar, dizendo que não fez referência à reforma proposta pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), mas à necessidade de alguma reforma da Previdência. “Eu não estou dizendo que tem que internar quem não apoiar essa reforma”, disse Guedes. “Estou dizendo que precisa internar quem não entender que precisa haver uma reforma. Ok… que não seja essa… eu não preciso retirar nada. Eu disse: quem não reconhecer…”.

Nesse momento, de nada adiantaram os apelos do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Felipe Francischini (PSL-PR), para que os deputados retomassem a calma e deixassem o ministro se explicar. “Eu vou encerrar a audiência pública, caso não haja ordem na comissão”, disse Francischini.

Tigrão e tchutchuca
Mas o caldo entornou mesmo quando o ministro foi provocado pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR). “O senhor é ‘tigrão’ quando é com os aposentados, com os idosos, com os portadores de necessidades. É ‘tigrão’ quando é com os agricultores e com os professores, mas é ‘tchutchuca’ quando mexe com a turma mais privilegiada.”

Guedes reagiu: “Vossa Excelência não falte com o respeito comigo. ‘Tchutchuca’ é a mãe, é a avó, é a sua família. Eu respeito quem me respeita”. Francischini pediu para que os dois retirassem suas palavras. Sem sucesso no apaziguamento, encerrou a sessão.

Após encerrar a audiência, Felipe Francischini assegurou ao Metrópoles que não vai chamar Guedes novamente à CCJ depois da confusão desta quarta (3/4). Segundo ele, “o objetivo foi atingido. Guedes respondeu a mais de 30 perguntas e, se voltar agora, será para ser agredido”.

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