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Após uma série de contradições sobre o destino da Fundação Nacional do Índio (Funai), a pastora evangélica e assessora do senador Magno Malta (PR-ES) Damares Alves confirmou, nesta quinta-feira (6/12), que o órgão ficará sob a sua responsabilidade como ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, cargo para o qual foi indicada pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

Pela manhã, um grupo de indígenas protestou contra a transferência da fundação, hoje ligada ao Ministério da Justiça. Damares informou que não havia recebido os manifestantes até o anúncio de sua indicação.

A minha história de luta com os povos indígenas me qualifica para estar cuidando também da Funai. Funai não é problema. O presidente só estava esperando o melhor lugar para colocar a Funai, e nós entendemos que é o Ministério dos Direitos Humanos, porque índio é gente, e o índio precisa ser visto de uma forma como um todo. Índio não é só terra, índio também é gente"
Damares Alves, futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos

Ela assessorou a CPI da Funai em 1991 e tem uma filha indígena.

Declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro, nos últimos dias, comparando a permanência de índios em reservas a animais em zoológicos, bem como o impasse para decidir o destino da Funai, provocaram reação de representantes dos povos indígenas.

Segundo o porta-voz do grupo, Kretã Kayangang, que integrou a comitiva responsável por levar documento ao governo de transição pela manhã, pedindo que a fundação não mudasse de pasta, a Justiça é a única pasta preparada para ficar com a Funai. “Nenhum ministério está preparado para lidar com conflitos fundiários, o único é o da Justiça”, declarou.

Nenhum centímetro
A futura ministra disse que é preciso conversar muito sobre a demarcação de terras indígenas. O assunto já foi alvo de críticas de Bolsonaro, que prometeu não demarcar mais “nenhum centímetro” dessas áreas caso fosse eleito.

“Acredito que, quando o presidente falou, ele tinha informações muito importantes para falar isso. Ele tinha embasamento. Eu, particularmente, questiono algumas áreas indígenas, mas vamos discutir, e sempre integrados com outros ministérios. Não vai ser uma decisão só dos Direitos Humanos”, declarou Damares.