Índios protestam no CCBB contra Bolsonaro e possível mudança na Funai
Eles protocolaram uma carta na qual apontam o caráter "preconceituoso" e "retrógrado" das declarações do presidente eleito sobre os povos

Representantes de povos indígenas de todo o país protestaram contra as propostas do presidente eleito, Jair Bolsonaro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde funciona o governo de transição. Inicialmente, os índios queriam entregar uma carta com reivindicações ao presidente eleito. Como não foram recebidos, protocolaram o documento com críticas e pedidos ao novo governo.
A carta da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) listou 11 pedidos, entre eles o de manter a Fundação Nacional do Índio (Funai) vinculada ao Ministério da Justiça.
O destino da Funai é incerto dentro do governo, uma vez que nenhum indicado às pastas ou membro do governo se dispôs a assumir a Fundação e suas responsabilidades. Há a intenção, no entanto, de transferir a pasta para o Ministério da Agricultura, que será comandado pela deputada ruralista Tereza Cristina (DEM-GO).
Os índios reivindicaram também em relação às declarações feitas recentemente pelo presidente eleito de que eles (índios), em reservas, são como “animais em zoológico”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O presidente [Jair Bolsonaro] nos chamou de animais. Nos sentimos muito ofendidos. Queremos que parem com as especulações para onde vai a Funai. A nossa luta é para que fique no Ministério da Justiça. A única política verdadeira para nosso povo é reconhecer a questão das terras indígenas”, disse Kretã Kaingang, um dos articuladores do movimento.
Na carta, os representantes dos povos indígenas relatam que as declarações feitas pelo presidente eleito “maculam” a imagem e a dignidade dos índios e apontam o caráter “preconceituoso” e “retrógrado” sobre os direitos conquistados.
“A imprensa tem veiculado uma série de declarações de Vossa Excelência a respeito da questão indígena, com afirmações que maculam a imagem e dignidade dos nossos povos e comunidades e que preocupam por demonstrarem, por um lado, a falta de conhecimento sobre nossos direitos constitucionais e, por outro, uma visão de indigenismo assimilacionista, retrógrado, autoritário, preconceituoso, discriminador, racista e integracionista, afastado de nosso país há mais de 30 anos pela Constituição Cidadã de 1988”, diz um trecho da carta.
Futuro governo
Após o protesto, a futura ministra da Agricultura saiu da reunião que o presidente eleito realiza com todos os escolhidos nesta quinta-feira e disse que não há definição sobre o destino da Funai. “Acho que vai continuar igual [seguir no ministério da Justiça]. Não está decidido. Houve uma discussão, mas não batemos o martelo”, disse Tereza Cristina.















