Flávio Bolsonaro diz ser contra Renan na presidência do Senado

Senador eleito falou sobre articulação política no Congresso Nacional

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 28/11/2018 19:22

O senador eleito pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PSL) – filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) –, disse nesta quarta-feira (28/11) em Brasília que vai trabalhar para evitar a eleição de Renan Calheiros (MDB-AL) para a presidência do Senado Federal. A nova legislatura toma posse em fevereiro e Calheiros, reeleito senador por Alagoas, articula sua candidatura para um quinto mandato no comando da Casa. Ele presidiu o Senado em quatro ocasiões: entre 2005 e 2007; entre 2 de fevereiro de 2007 a 14 de outubro de 2007; de 2013 a 2015 e no biênio 2015-2017.

“O Renan é uma pessoa que já está há bastante tempo ali, foi reeleito, então, portanto, tem que ter o diálogo, mas certamente para a presidência da Casa não é o que a população espera”, afirmou Flávio. “A gente tem que dar um norte para o Senado que tenha sintonia com que o brasileiro disse nessas eleições, então certamente nosso apoio não será para o Renan”, afirmou o senador eleito, ao chegar no Centro Cultural Banco do Basil (CCBB), sede do governo de transição.

Flávio citou os senadores Davi Alcolumbre (DEM-SC), Laiser Martins (PSD-RS), Esperidião Amin (PP-SC) e Álvaro Dias (Podemos-PR) como outros candidatos que já manifestaram o desejo de presidir a Casa e defendeu que a discussão caminhe para uma candidatura única do grupo de apoio do futuro governo.

Ele também falou em apoiar um nome que seja “ficha limpa” e tenha a “simbologia de mudanças” que o Brasil manifestou nas eleições. “Tem que haver as discussões e, num passo seguinte, uma convergência de forças para evitar que o grupo do Renan tenha sucesso na eleição para o Senado”, ressaltou.

Perguntado sobre a tradição do Senado de sempre eleger como presidente um integrante da maior bancada partidária, Flávio Bolsonaro destacou que esse processo poderia ser dar pela formação de blocos entre legendas. “Vai começar a haver uma composição de blocos, nada impede que partidos diferentes formem esses blocos e respeitar essa tradição [da maior bancada]”, considerou.

Articulação política
O filho de Jair Bolsonaro defendeu a escolha do futuro presidente para a Secretaria de Governo, que será comandada pelo general de divisão Carlos Alberto dos Santos Cruz. A pasta tem a tarefa de promover a articulação política entre o governo e o Congresso Nacional, e tradicionalmente é comandada por parlamentares.

“A incumbência de negociar com o Congresso é do secretário de Governo, é do general, e acho que dá uma demonstração da forma republicana e respeitosa, em alto nível, que o presidente Bolsonaro quer fazer com o Congresso”, disse. “Aquele parlamentar que ainda não entendeu que mudou a forma de fazer política, que não é mais essa forma falida de fazer política que ainda está em vigor no Brasil, vai ficar para trás”, garantiu.

Para Flávio, não haverá sobreposição de forças entre o general e Onyx Lorenzoni, futuro ministro-chefe da Casa Civil, que foi designado pelo presidente eleito como o “comandante” das relações institucionais do governo. “Vai ser um trabalho compartilhado, todo mundo ajuda de uma certa forma. Com a gente não tem essa vaidade, todo mundo trabalha por um objetivo comum. Não vejo nenhum esvaziamento. O Onyx é uma das pessoas mais fortes do governo, podem ter certeza”, destacou.

O senador eleito também descartou se tornar líder do governo na Casa a partir do ano que vem e disse que pretende colaborar como uma espécie de “pára-raio” de demandas dos parlamentares junto ao governo. “Eu prefiro estar ao lado de uma pessoa que conheça bem a Casa, para que o governo reduza qualquer chance de resistência e repercutindo qual é o nosso alinhamento político e ideológico. [É preciso] resgatar a legitimidade política do Parlamento, isso vai acontecer por intermédio de demandas legítimas. A gente tá aqui para fazer política e não fazer negócio”, afirmou.

Reforma da Previdência
Sobre a reforma da Previdência, o senador eleito reconheceu a dificuldade de votar algo neste ano, ainda mais a partir da proposta que tramita no Congresso Nacional, apresentada pelo governo do presidente Michel Temer. Na visão de Flávio Bolsonaro, é preciso apostar em mudanças infraconstitucionais, que demandam quórum menor, do que aprovação de emendas à Constituição.

“Não estou diretamente participando, [mas] tem muita coisa de legislação infraconstitucional, portanto, via projeto de lei, e que demanda um quórum menor. E eu acredito que o próximo Congresso, até em um início de governo, vai estar muito mais sensível a aprovar esse tipo de matéria, que eu acho que está madura até perante a opinião pública”, declarou.

Embaixada em Jerusalém
Flávio Bolsonaro disse que a embaixada brasileira em Israel será mesmo transferida de Telaviv para Jerusalém, como prometeu o presidente eleito ainda durante a campanha. Essa informação havia sido confirmada nessa terça (27) pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

“Toda a comunidade judaica que vive aqui no Brasil, que deu um voto de confiança em Bolsonaro por causa desse comprometimento dele. É um alinhamento ideológico. O Brasil sempre teve um alinhamento ideológico oposto, então é coerente do presidente Bolsonaro fazer essa mudança. Agora quando vai fazer, de que forma, em que velocidade, ele que vai decidir junto com o nosso chanceler”, disse o senador eleito.

Mais cedo, nesta quarta-feira, Flávio participou, com o pai, da segunda reunião entre o presidente eleito e o atual embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, na Granja do Torto, em Brasília. Um dos temas tratados teria sido a troca de tecnologia entre os dois países a partir do ano que vem.

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