Em férias, ministro da Educação bate-boca com manifestantes no Pará

Abraham Weintraub estava em restaurante de Alter do Chão com a família, quando foi ironizado por grupo de ativistas e se irritou

Geraldo Magela/Agência SenadoGeraldo Magela/Agência Senado

atualizado 23/07/2019 13:48

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, discutiu com um grupo de ativistas em Alter do Chão (PA), onde passa alguns dias de férias com a família. Weintraub foi abordado por ativistas do Engajamundo, uma rede de jovens organizados pelo Brasil. O grupo entregou a ele uma kafta, referência irônica ao episódio no qual ele errou a pronúncia do sobrenome do celebrado escritor Franz Kafka, chamando-o pelo nome da iguaria árabe.

O cartaz que uma manifestante segurava fazia referência também a outras polêmicas envolvendo Weintraub, como o anúncio de corte de verbas de três universidades, incluindo a Universidade de Brasília (UnB), por “balbúrdia” e a tentativa do ministro de explicar com chocolates o contingenciamento estendido a todas as federais – e usar o orçamento global como cautela para diminuir o impacto da medida, em vez de usar apenas os recursos destinados a investimentos.

Irritado, Weintraub reagiu. Pegou o microfone do músico que fazia uma apresentação no local, disse que estava em férias com a família e passou a atacar o PT.

O ministro chegou a pegar a filha no colo para devolver a hostilidade dos ativistas. “Aqui ó, corajoso”, gritava, apontando para a menina em seus braços.

O ativista, um indígena, respondeu: “Eu também tenho filhos”.

Weintraub chegou a afirmar que “não é porque você está com um cocar que você é mais brasileiro do que eu, seu babaca”.

Convencido pela família, o ministro deixou o local aos gritos de “fascista”.

Outro lado
O Ministério da Educação emitiu, na tarde desta terça-feira (23/07/2019) uma nota de repúdio às manifestações endereçadas ao ministro. Confira na íntegra:

O Ministério da Educação repudia os lamentáveis atos de violência sofridos pela pessoa do ministro da Educação, Abraham Weintraub, e seus familiares. O ministro, que está de férias, jantava com a esposa e seus três filhos (9, 12 e 13 anos de idade) na cidade de Alter do Chão, no Pará, quando foi hostilizado por manifestantes que o constrangeram em praça pública.

O grupo, que se identificou como representante da comunidade indígena, alegou que não havia sido recebido pelo ministério. No entanto, no dia 5 de junho representantes de lideranças indígenas e quilombolas foram recebidos na sede do MEC, em Brasília. Em 2 de julho a Pasta abriu mais quatro mil bolsas de estudo no valor de R$ 900 (cada) a indígenas e quilombolas matriculados em cursos de graduação presenciais em instituições e universidades federais. As inscrições seguem abertas até 30 de agosto.

O pagamento da bolsa é feito pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao Ministério da Educação, diretamente aos beneficiários. O Bolsa Permanência tem por finalidade contribuir para que estudantes indígenas e quilombolas tenham condições de permanecer em seus cursos de graduação.

Além disso, o Ministério trabalha na construção do 1º Plano Nacional de Educação Escolar Indígena. A proposta é garantir um maior acesso à educação para esta comunidade. Para a elaboração do plano, o MEC conta com a participação dos indígenas por meio de audiências públicas. Só esse ano, foram realizados três encontros: em Manaus (AM), Belo Horizonte (MG) e João Pessoa (PB). Os próximos serão em Belém (PA), Campo Grande (MS), Chapecó (SC) e Salvador (BA).

Por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), serão construídas 50 escolas indígenas em municípios do Amazonas nos próximos três anos. Para este ano, a previsão é de se iniciar as obras de oito colégios voltados para este público.

Entretanto, o Ministério reitera que não há justificativa plausível para um ataque desta natureza a um brasileiro e seus familiares.

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