“Não há cortes, há contingenciamento”, diz Weintraub, no Senado

Em audiência no Senado, o ministro da Educação diz que universidades não podem ser consideradas "estados soberanos"

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 07/05/2019 13:09

Após anunciar corte de aproximadamente 30% nos recursos de universidades federais, alegando “balbúrdia”, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, negou que haja cortes de recursos. A terminologia agora adotada por ele é que há “contingenciamento”.

“Quanto a situação das universidades eu gostaria de reforçar: não houve corte, não há corte. Vou repetir. Não há corte, há um contingenciamento. Há um contingenciamento”, disse o ministro, repetindo duas vezes cada parte da explicação.

Ao menos três universidades já foram impactadas pela medida do governo federal.A Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Segundo o ministro, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, está sob avaliação.

Na audiência pública que participou na Comissão de Educação do Senado, o ministro enfatizou que é a favor da autonomia universitária, mas destacou que as universidades brasileiras não podem ser tratadas como “estados soberanos” que, na sua opinião, é o que ocorre atualmente.

“Sou 100% a favor da autonomia universitária. Para mim, [que haja] mais liberdade para as universidades. Mas autonomia universitária não é soberania universitária. Eles não são um estado soberano. Com a legislação que a gente tem no Brasil, não pode ter consumo de drogas dentro dos campi. Porque a lei não permite no território nacional o consumo”, afirmou o ministro.

Protestos
Ao chegar à audiência, o Weintraub enfrentou protestos de estudantes universitários. Ele também se deslocou com admiradores do governo, que lotaram o plenário da Comissão de Educação e o aplaudiram durante suas falas.

Weintraub ainda questionou a ideia de que a polícia não atue dentro das universidades. “Por que a polícia não pode entrar dentro de um campus? É um país autônomo?”, questionou.

O ministro voltou a defender o corte de recursos para o ensino superior, principalmente nas áreas de humanas, além do foco voltado para investimentos na educação básica. De acordo com o ministro, os recursos destinados às instituições de ensino superior foram, nos últimos anos, em sua maioria, destinados à contratação de pessoas.

“O gasto aumentou em educação superior. Contratar gente. Contratamos uma penca de gente nas universidades, enquanto isso, não houve investimentos em equipamentos, livros didáticos, pesquisas. Nestes casos, a gente vem reduzindo os gastos”, comparou o ministro.

Ao falar sobre professores, o chefe da pasta de Educação prometeu combate ao que chamou de “doutrinação” nas escolas brasileiras. “Não é aceitável, o professor passar a metade da aula doutrinando. Ficar doutrinando marmanjo, tudo bem, mas uma criança. O que a gente precisa é educar, ensinar a ler, escrever e fazer conta”, disse o ministro.

O ministro ainda criticou programas implantados pelo governo interior e classificou o financiamento estudantil, o Fies, e o programa de ensino técnico, o Pronatec, como “tragédias” da educação brasileira.

“Para financiar esta expansão, a gente criou o financiamento educacional. Esta é outra tragédia. Até levo um susto quando falo. A gente tem 500 mil jovens inadimplentes. É uma tragédia. É mais um Pronatec, mais um desastre que aconteceu”, disse o ministro.

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