Eduardo Bolsonaro se diz disposto a deixar mandato para ser embaixador

Presidente disse que a indicação do filho para embaixada nos EUA está no “seu radar”, já que ele fala inglês e tem vivência de mundo

Vinícius Santa Rosa/MetrópolesVinícius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 11/07/2019 20:30

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou, durante entrevista coletiva na noite desta quinta-feira (11/07/2019), que estaria disposto a abandonar seu mandato parlamentar caso o presidente da República e seu pai, Jair Bolsonaro (PSL), o indique para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos. “Se for a missão dada pelo presidente, eu estaria disposto a renunciar”, afirmou.

Eduardo disse ainda que o fato de ter completado 35 anos – idade mínima para que um brasileiro possa atuar enquanto embaixador – há apenas um dia “é uma coincidência”. “Parece que Papai do Céu fez a gente no ano certinho”, ressaltou.

Ainda de acordo com o parlamentar, até o momento não houve nenhuma conversa entre os governos brasileiro e norte-americano sobre o assunto, mas a chance disso ocorrer está “bem encaminhada”.

Segundo ele, caso o cargo diplomático saia do papel, a intenção é trabalhar para melhorar a relação entre os países, “resgatar a credibilidade brasileira no exterior” e atrair investimentos para o Brasil.

“Eu acredito que o envio do próprio filho, um dos deputados federais mais votados da história do Brasil, é uma sinalização forte de que o Brasil quer estar junto com os Estados Unidos no mercado mundial”, completou o deputado, ao ser questionado sobre o que faria de diferente dos demais candidatos ao cargo de embaixador.

“Fala inglês”
Nesta quinta, Bolsonaro alegou que, como Eduardo “fala inglês com fluência” e tem afinidade com a família do presidente dos EUA, Donald Trump, estaria qualificado para o posto.

“É uma coisa que está no meu radar, sim. Existe essa possibilidade. Ele é amigo do filho do Trump. Fala inglês, espanhol, tem uma vivência muito grande de mundo. Poderia ser uma pessoa adequada, daria conta do recado perfeitamente em Washington”, disse, depois da posse do delegado da Polícia Federal (PF) Alexandre Ramagem Rodrigues como chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O cargo está vago desde abril, quando o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, removeu o diplomata Sérgio Amaral do posto.

Oposição reage
Assim que a possibilidade da nomeação de Eduardo Bolsonaro para embaixador começou a circular no Congresso Nacional, a oposição se manifestou. Petistas e parlamentares do PSol e do PCdoB afirmam que vão mover ações judiciais cabíveis, caso seja confirmada a pretensão da família Bolsonaro.

Até mesmo senadores já estão se manifestando. “É um absurdo que isso seja ao menos cogitado. Bolsonaro quer fazer do governo o quintal da sua casa, uma extensão familiar. O presidente, que ontem defendeu o trabalho infantil como meritocracia, hoje indica o próprio filho para assumir uma embaixada”, atacou o senador Randolfe Rodrigues (Rede), líder da oposição no Senado Federal.

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