Dodge adiou investigações de Bolsonaro enquanto tentava ficar na PGR

Os casos envolvem Nathalia Queiroz e Wal do Açaí. Ambas eram lotadas no gabinete do então deputado federal, mas trabalhavam em outros locais

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atualizado 13/08/2019 11:24

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, segurou por mais de 120 dias as investigações contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL), segundo revela reportagem da Folha de S. Paulo. O posicionamento de Dodge ocorria ao mesmo tempo em que ela articulava uma recondução ao cargo de chefe do Ministério Público Federal (MPF).

Somente na última terça-feira (06/08/2019) a procuradora-geral desengavetou os papéis e os mandou de volta para a primeira instância. O nome de Dodge perdeu força na disputa para seguir no posto na última semana.

Além da lista tríplice estabelecida pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), o líder do Executivo estuda nomes como o do subprocurador-geral Augusto Aras.

Um dos casos em apuração sobre Bolsonaro é o de Wal do Açaí. O inquérito foi aberto em primeira instância em setembro de 2018 e enviado para a PGR no início de abril deste ano. Walderice Conceição teria atuado como funcionária fantasma na época em que o atual presidente era deputado federal. Ela vendia açaí no momento em que devia dar expediente na Câmara.

O segundo caso refere-se a Nathalia Queiroz. Ela também estava ligada ao gabinete do então deputado federal, mas atuava, ao mesmo tempo, como personal trainer. A jovem é filha de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

A assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República diz que a análise dos papéis respeitou a fila, sem dar privilégio por se tratar de uma autoridade, e que Dodge só soube dos procedimentos dois dias antes de mandá-los de volta à primeira instância.

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