Demitido, Alvim atravessava fase de grande prestígio no governo

O ex-secretário da Cultura foi convocado para transmissão semanal do presidente Jair Bolsonaro horas antes de cair em desgraça. Veja vídeo

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atualizado 17/01/2020 18:43

Demitido no rastro da enorme repercussão do discurso que citou falas do ideólogo nazista Joseph Goebbels, o agora ex-secretário especial da Cultura Roberto Alvim atravessava período de grande prestígio no governo federal.

Horas antes de virar o assunto mais comentado no país, o dramaturgo participou da transmissão semanal do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Facebook e foi elogiado, pelo agora ex-chefe, como representante e promotor da “cultura de verdade no Brasil, uma coisa que não tínhamos” (veja vídeo abaixo).

Os convites para participar das lives de Bolsonaro são muito valorizados pela equipe do presidente. Na transmissão de ontem, além de elogiar o secretário, Bolsonaro abriu espaço para que ele apresentasse dois ambiciosos projetos que estavam sendo lançados, um edital para patrocinar filmes “alinhados ao conservadorismo” e o Prêmio Nacional das Artes, promessa de promover novos artistas em áreas que vão da ópera a histórias em quadrinhos.

Com a demissão de Alvim, não há informações sobre a manutenção ou não desses projetos nos planos do governo.

Na transmissão desta quinta-feira (16/01/2020), Alvim lembrou a Bolsonaro que “quando o senhor me chamou, em novembro do ano passado, me pediu uma cultura que não destruísse a juventude. E essa é a minha missão, a salvação da juventude brasileira através da cultura”.

Veja um trecho:

O secretário demitido também discursou que “este ano de 2020” seria “uma virada histórica, o ano de renascimento da cultura e da arte do Brasil”. Durante todo o tempo em que falou, o até então secretário recebeu palavras de apoio do presidente Bolsonaro. Na nota de demissão, porém, o presidente da República não fez elogios (ou críticas) ao agora ex-funcionário. Disse apenas que “um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência”.

Aqui é possível rever toda a transmissão, que tem 40 minutos e contou também com a participação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, e do secretário da Pesca, Jorge Seif.

Antes de assumir o cargo de secretário especial da Cultura, no fim do ano passado, Alvim já estava no governo, à frente do Centro de Artes Cênicas (Ceacen) da Funarte.

Alvim postou o fatídico vídeo pouco depois de deixar a live com Bolsonaro.

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