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O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), inicia nesta terça-feira (4/12) sua agenda específica de encontros com bancadas partidárias. De acordo com a assessoria da transição governamental, ele deverá se reunir com integrantes do MDB e PRB. Pelo menos no discurso, a equipe do novo governo afirma que as reuniões servirão para firmar um comportamento contrário ao presidencialismo de coalizão, embora diga querer ver os parlamentares “valorizados e respeitados”.

“Sempre ficará muito claro que não haverá toma lá dá cá. Nós vamos fazer os parlamentares se sentirem valorizados e respeitados, em uma relação absolutamente transparente, com o controle da própria sociedade, mas completamente diferente”, disse o ministro extraordinário da transição, Onyx Lorenzoni.

Para o próximo governo, o gaúcho já foi anunciado como ministro da Casa Civil. Onyx terá, entre outras atribuições, a responsabilidade de negociações com o Congresso Nacional. Nessa segunda (3), o futuro governo anunciou que terá duas secretarias ligadas à Casa Civil para coordenar os diálogos com a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

O governo de Jair Bolsonaro vive a expectativa de ter uma base de apoio de 350 deputados federais a partir de 1º de fevereiro de 2019, quando a nova Câmara toma posse.

“Uma pessoa apenas cuidava da Câmara e do Senado. Vamos ter um time de ex-deputados e ex-senadores para isso. Não haverá toma lá dá cá, nem a forma tradicional que levou a esta desconexão do Parlamento com a sociedade brasileira. Não tem uma fórmula pronta. Nós estamos trabalhando essa construção”, declarou o ministro.

Nem base nem oposição
A reunião com o MDB ocorre um dia após o partido afirmar que não fará oposição nem será base aliada de Bolsonaro. “A partir de 1º de janeiro, o MDB manterá uma independência ativa. Apoiando medidas que buscam o crescimento do país, gestão eficiente e responsabilidade fiscal”, disse a sigla em mensagem publicada no Twitter.

Chama atenção o fato de o partido do presidente eleito, o PSL, não constar na programação das reuniões. Semanas atrás, membros da legenda, a com o maior número de eleitos em outubro, reclamaram da falta de contato com Bolsonaro e a dificuldade de relacionamento com Onyx.

A agenda de encontros do presidente eleito com bancadas partidárias deve seguir até esta quarta-feira (5/12), quando se reunirá com integrantes do PSDB e do PR. Outras siglas, como o PSD, devem ser recebidas por Onyx Lorenzoni. As reuniões foram acertadas entre a equipe de Bolsonaro e líderes dos partidos no Congresso Nacional. Atuais e futuros deputados e senadores foram convidados a participar.

Até o momento, Jair Bolsonaro definiu 20 de seus 22 ministros. As pastas que ficaram com civis, segundo Bolsonaro, foram acertadas em acordos com as chamadas bancadas temáticas, como a Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) e a Frente Parlamentar da Saúde.

Julgamento das contas
Além das reuniões, Jair Bolsonaro ficará de olho no plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte julgará as contas eleitorais dele e do vice eleito, Hamilton Mourão (PRTB). Advogados das contas, Karina Kuri e Gustavo Bebianno (futuro ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República) se reunirão com o ministro Luis Roberto Barroso antes da sessão, no Supremo Tribunal Federal (STF).