Caso Queiroz: seis meses em seis perguntas

Apuração sobre suposto esquema de corrupção na Alerj achou depósitos suspeitos na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro

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atualizado 09/06/2019 11:38

Veja perguntas que ainda precisam ser respondidas no caso que envolve o ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, filho 01 do presidente da república, Jair Bolsonaro.

1. Onde está o Queiroz?
O advogado Paulo Klein afirma que Fabrício Queiroz está em São Paulo com a família fazendo tratamento de recuperação em decorrência da cirurgia para retirada de um tumor maligno no intestino, realizada no dia 1º de janeiro deste ano no Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista. Segundo registro da unidade, ele deu entrada no dia 30 de dezembro de 2018 e teve alta no dia 8 de janeiro. A reportagem pediu uma entrevista com Queiroz, mas Klein disse que ele ainda está em recuperação e que assim que tiver condições vai falar antes com o Ministério Público do Rio.

2. Por que só um assessor até hoje foi ouvido?
Além de Queiroz, outros nove ex-assessores de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativo do Rio foram chamados para prestar depoimento no Ministério Público fluminense, entre eles as filhas e a mulher do pivô da crise envolvendo a família Bolsonaro. Todos aparecem no relatório do Coaf depositando dinheiro na conta de Queiroz. Porém, apenas o policial militar Agostinho Moraes da Silva compareceu, no dia 11 de janeiro. Aos promotores, ele afirmou que dava cerca de dois terços do salário para Queiroz investir em compra e venda de veículos e que Queiroz devolvia um valor, em média, 12% maior, referente ao lucro da transação. Em seu depoimento, Agostinho Silva não menciona a devolução de parte do salário para pagamento de assessores externos, versão apresentada por Queiroz aos promotores no dia 28 de fevereiro. Os demais assessores ignoraram as intimações do Ministério Público do Rio.

3. O que o MP diz que Queiroz precisa esclarecer?
Os promotores afirmam que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro admitiu que recolhia parte do salário dos demais funcionários do gabinete na Assembleia Legislativa do Rio na manifestação encaminhada por escrito, mas não apresentou a relação dos tais assessores informais que teriam sido contratados por fora, sem vínculo com a Alerj, para ajudar a alavancar o desempenho eleitoral do ex-deputado e atual senador. Queiroz também não apresentou documentos que comprovem as transações de compra e venda de veículos e outros produtos que ele também diz ter feito com o dinheiro arrecadado de outros assessores. Para os promotores, até agora Queiroz não conseguiu esclarecer as movimentações financeiras atípicas de R$ 1,2 milhão detectadas pelo Coaf entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017 na conta bancária dele e existem indícios robustos de que o ex-assessor tenha participado de uma organização criminosa montada no gabinete de Flávio na Alerj para desviar recursos públicos por meio da prática conhecida como “rachadinha”, que consiste na devolução de parte do salário de um assessor ao parlamentar. Segundo o MP do Rio, Queiroz fez saques em dinheiro no valor de R$ 661 mil em apenas 18 meses, entre janeiro de 2016 e junho de 2018.

4. O que o MP diz que Flávio Bolsonaro precisa esclarecer?
Os promotores querem que o ex-deputado e atual senador explique as nomeações de funcionários suspeitos de serem fantasmas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, como policiais militares e parentes de Queiroz, os 48 depósitos fracionados de R$ 2 mil feitos no período de um mês em sua conta bancária, totalizando R$ 96 mil, e as transações imobiliárias com alto valor de lucro declarado em certidões de imóveis, como a compra de um apartamento em Copacabana por R$ 140 mil em novembro de 2012 e a venda da unidade por R$ 550 mil em fevereiro de 2014 – lucro de 292% ante uma valorização imobiliária média de 11% na mesma região. Os investigadores sustentam que não tinha como Flávio Bolsonaro não saber da captação de recursos feita por Queiroz dentro de seu gabinete e apontam o ex-deputado como líder da suposta organização criminosa.

5. Quem era responsável pela escolha dos funcionários do gabinete de Flávio?
Tanto Flávio Bolsonaro quanto Fabrício Queiroz afirmam que o ex-assessor tinha autonomia para nomear os assessores do gabinete do ex-deputado na Alerj, incluindo sua mulher, duas filhas, uma enteada e até o marido da ex-mulher. Mas oito servidores empregados no gabinete de Flávio que também tiveram seus sigilos bancário e fiscal levantados pela Justiça do Rio também foram lotados no gabinete de Jair Bolsonaro quando ele era deputado federal e outros dois no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PSC) na Câmara Municipal do Rio. Para os promotores, as nomeações de servidores considerados fantasmas, porque não davam expediente no gabinete ou tinham outras ocupações simultâneas, eram feitas com o conhecimento de Flávio com o objetivo de desviar o salário dos servidores.

6. Por que Bolsonaro precisaria emprestar dinheiro a Queiroz se ele movimentava tanto dinheiro?
Uma das movimentações na conta de Queiroz citadas como atípicas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à primeira-dama Michelle Bolsonaro. Após a revelação do fato pelo Estado, em dezembro, o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou dizendo que a transação se referia ao pagamento de uma parte de um empréstimo de R$ 40 mil que ele próprio havia feito a Queiroz. Na única vez em que falou sobre o assunto, em entrevista ao SBT, o ex-assessor confirmou a versão de Bolsonaro, de quem era amigo, e disse ter quitado o empréstimo em dez parcelas de R$ 4 mil. O relatório do Coaf, no entanto, mostrou que Queiroz movimentou no período de um ano, R$ 1,2 milhão em sua conta, entre créditos e débitos

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