Bolsonaro diz que não deve “lealdade cega” ao povo após escolha do PGR

Presidente pediu para internautas apagarem comentários negativos sobre a decisão. Augusto Aras foi indicado para suceder Raquel Dodge

JP Rodrigues/MetrópolesJP Rodrigues/Metrópoles

atualizado 05/09/2019 21:24

Depois de receber muitos comentários negativos nas redes sociais sobre a indicação do nome desejado para assumir o comando da Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que não deve “lealdade cega” ao povo. A afirmação foi feita em transmissão ao vivo pelo Facebook, na noite desta quinta-feira (05/09/2019).

O subprocurador Augusto Aras foi o escolhido para suceder Raquel Dodge, conforme anunciado nesta tarde. O nome do possível novo PGR — que deve passar por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e por votação no plenário da Casa, onde precisa conseguir ao menos 41 votos — foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

“Tem uns 20% pelo menos no Facebook falando que acabou a última esperança, que não vota mais em ninguém, que não vai votar no Moro em 2022. Pessoal, que atire a primeira pedra quem não tem nenhum pecado. Eu tinha que escolher um nome. Tinha um universo ali, foi se reduzindo, até que chegou no Augusto Aras. O compromisso que ele tem conosco e com o Brasil está muito claro”, afirmou Bolsonaro.

O presidente reforçou que procurou uma pessoa “nota sete em tudo”, como vinha se expressando nos últimos dias, e não apenas alguém que tenha como prioridade o combate à corrupção. “Tem que combater a corrupção? Tem. Mas tem também que combater outras questões”, explicou.

Para exemplificar, Bolsonaro criticou o parecer do então procurador-geral da República Rodrigo Janot a favor da criminalização da homofobia no Supremo Tribunal Federal (STF), em 2014. “Você está entendendo a importância do chefe do Ministério Público? Não é uma pessoa que eu apenas achei ela bacana”, disse.

O presidente afirmou que, para chegar ao nome de Aras, conversou com possíveis candidatos ao cargo e ministros de Estado, buscando justificar o motivo para não ter escolhido nomes sugeridos nas redes sociais.

“Como sempre tenho dito, eu devo lealdade ao povo, mas não essa lealdade cega, que está do outro lado. Quantas vezes no Facebook o cara citava o nome de uma pessoa para ser procurador e eu perguntava: ‘Você conhece?’. E não respondia. ‘Você sabe qual é a posição dele nessa área?’. Ele não respondia. É alguém que tinha a simpatia dele. Simpatia é amor, é casamento. Não quero um procurador para casar com ele”, descreveu.

Depois de apresentar seu ponto de vista, o chefe do Executivo fez um apelo para que as pessoas apagassem os comentários negativos sobre a decisão. “Então, eu peço a vocês: vá no Facebook, você que fez um comentário pesado, retira. Dá uma chance para mim. Vocês acham que eu quero colocar alguém lá para atrapalhar a vida de vocês, a vida do Brasil? Não é”, disse.

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