Arthur Lira: “Governo faz como quer e a gente vota como acha certo”

Articulada com Maia e Alcolumbre, recriação de dois ministérios não melhorou diálogo do Planalto com congressistas

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atualizado 13/05/2019 16:34

A insatisfação de líderes de partidos do chamado Centrão com o tratamento dispensado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) é grande e pode travar decretos e medidas provisórias de interesse do governo que estão sob apreciação na Câmara e no Senado. Um dos principais articuladores dessa vertente política é o líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira (AL).

Para ele, o governo não conseguiu construir nenhuma relação de confiança com congressistas e, diante disso, não há porque insistir, neste momento, no diálogo político com Bolsonaro.

“O governo faz como quer e a gente vota como a gente acha que está certo”, disse ao Metrópoles o líder do PP na Câmara, deputado Artur Lira (AL). “A política existe quando há uma certa relação de confiança e esta confiança não existe hoje”, disse Lira, ao se referir a falta de diálogo de Bolsonaro com o Congresso.

“Não é assim com o próprio ministro Moro? O presidente dá uma entrevista e diz que combinou de indica-lo ao Supremo Tribunal Federal (STF), ele está dizendo que não foi isso que aconteceu. Isso é relação de confiança?”, questionou o líder.

Outro ponto de irritação dos deputados é o discurso adotado pelo presidente e por pessoas próximas que estabelecem uma dicotomia entre a “nova” e “velha” política. Para deputados e senadores, acostumados à troca de apoio por liberação de emendas e participação no governo, o tratamento acaba por criminalizar a relação política.

“Eu agora, só estou querendo a nova política”, ironizou o líder do PP. “A gente, aqui do Nordeste, já está acostumada com isso. Nos adaptamos a qualquer forma de vida, à sede, à fome”, ironizou Lira.

“Tem muito saco vazio se fazendo aí em nome da ‘nova política’. Não resistem a meia hora de conversa”, enfatizou. Além dele, outras lideranças falam, em reservado, do descontentamento. A falta de diálogo do Planalto com líderes no Congresso é principal fator de insatisfação.

O governo adotou a estratégia de recriar pastas como a de Cidades e a de Integração Nacional para tentar acomodar anseios de partidos como o PP e MDB. Mas o acordo não passou pelos líderes. Foi feito diretamente com os presidentes das duas casas legislativas: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Os dois iniciam a semana em viagem oficial aos Estados Unidos.

O líder do PP lançou um desafio para o líder do governo na Câmara. “Vamos ver quantos votos terá o líder Major Vitor Hugo”, desafiou Lira.

Pauta
A MP-870 trata da reorganização administrativa e foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaro assim que tomou posse. Se não for aprovada até o dia 3 de junho pela Câmara e pelo Senado, perde a validade e o governo volta a ter a configuração da gestão Michel Temer, com 29 pastas.

Já a MP-863 expira até o dia 22 de maio. Se não for votada, caem todas as modificações propostas pelo Planalto no Código Brasileiro de Aeronáutica. Outra medida que já tranca a pauta de votações é a MP-866. Seu prazo expira no dia 30 de maio. Ela trata da criação do órgão que vai substituir a Infraero.

Além delas, estão na pauta a MP-867, que altera a Lei nº 12.651 para dispor sobre a extensão do prazo para adesão ao Programa de Regularização Ambiental, a MP-868, que atualiza o marco legal do saneamento básico no País, e a MP-869, que dispõe sobre a proteção de dados pessoais e cria a Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

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