Polícia reconstitui cena em que Henry é encontrado desacordado no chão

Na simulação, os investigadores usaram um boneco com as mesmas características do menino de 4 anos, como peso e altura

atualizado 01/04/2021 16:07

Reconstituição do caso Henry Borel Medeiros com bonecoAline Massuca/Metrópoles

Rio de Janeiro – A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou, na tarde desta quinta-feira (1º/4), uma reprodução simulada no apartamento onde o menino Henry Borel Medeiros morava com a mãe, Monique Medeiros da Costa Almeida, e com o médico e vereador Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho (Solidariedade), em Jacarepaguá, zona oeste do Rio.

Peritos do Instituto Médico Legal (IML), do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e agentes da polícia chegaram à residência do casal por volta das 14h. André França, advogado que defende Monique e Dr. Jairinho, também acompanhou a reprodução e informou que seus clientes não iriam, como era o esperado e solicitado pela polícia.

Na simulação, os investigadores usaram um boneco com as mesmas características da criança, como peso e altura. Eles querem esclarecer detalhes como, por exemplo, em que posição o menino foi encontrado desacordado, qual a altura da cama que a criança estava e algumas pequenas informações sobre a dinâmica do possível acidente doméstico. Peritos representaram a presença da mãe e do padrasto da criança na encenação.

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Na tarde da última quarta-feira (31/3), a defesa de Monique e Dr. Jairinho tentou adiar a reconstituição desta quinta, alegando que a mãe de Henry estaria em depressão. A polícia negou o pedido e decidiu manter a agenda da reprodução.

Entenda o caso

O menino Henry Borel Medeiros morreu no dia 8 de março ao dar entrada em um hospital da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Segundo Leniel Borel, ele e o filho passaram o fim de semana anterior normal. Por volta das 19h do dia 7, o pai o levou de volta para casa, onde morava com a mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida, e com o vereador e médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade).

Ainda segundo o pai de Henry, por volta das 4h30 do dia 8, ele recebeu uma ligação de Monique falando que estava levando o filho para o hospital, porque o menino apresentava dificuldades para respirar.

Leniel afirma que viu os médicos tentando reanimar o pequeno Henry, sem sucesso. O menino morreu às 5h42, segundo registro policial registrado pelo pai da criança.

De acordo com o laudo de exame de necrópsia, a causa da morte do menino foi hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente. Para especialistas, ação contundente seria agressão.

Investigações

Como parte da investigação da morte de Henry, agentes da 16ª DP (Barra da Tijuca) fizeram uma espécie de reconstituição do último dia do menino, no domingo, quando estava em companhia do pai. Eles recolheram imagens de câmeras do circuito interno de um shopping, onde o garoto foi a um parquinho, e do condomínio em que Leniel Borel mora.

No dia 17, Monique e Dr. Jairinho foram ouvidos, separadamente, por cerca de 12 horas na 16ª DP. De acordo com a polícia, a mãe e o namorado só foram ouvidos nove dias depois do crime, porque Monique estaria em estado de choque, sob efeito de medicamentos.

No depoimento, ambos afirmaram que estavam em um quarto vendo série e, quando foram dormir, a mãe encontrou Henry caído no chão, ao lado da cama, com as extremidades frias e com dificuldade para respirar. Monique disse à polícia que acredita que o menino tenha caído da cama.

A equipe médica que atendeu Henry no hospital da Barra; a empregada da casa onde o menino morava com a mãe e o padrasto; a avó materna e uma ex-namorada de Jairinho prestaram depoimento aos policiais.

No dia 26, a Justiça autorizou a quebra do sigilo telefônica de todos os investigados, como pai, mãe, padrasto e avó materna, e a apreensão dos telefones celulares de todos. Policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em três endereços diferentes: da família de Monique, de parentes de Jairinho e na casa do pai de Henry.

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