Caso Henry: defesa diz que declarações de ex de Jairinho são calúnias

Advogado do vereador envia petição ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), que investiga a morte do menino

atualizado 01/04/2021 12:44

Henry Borel MedeirosReprodução redes sociais

Rio de Janeiro – O advogado André França Barreto, que defende o vereador e médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), enviou uma petição ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), que investiga a morte de seu enteado, Henry Borel Medeiros, sobre uma das testemunhas do inquérito.

O documento de 28 páginas alega que a ex-namorada do parlamentar que relatou agressões a ela e a sua filha, de 3 anos à época, mentiu e o caluniou por ter sido abandonada por ele no altar.

De acordo com a petição, a moça chegou a tatuar o nome do vereador em seu braço. O término do relacionamento teria gerado uma situação “extremamente humilhante”, causando ódio e promessa de vingança. O advogado diz que, na ocasião da abertura da investigação pela morte de Henry, com Jairinho estando “em evidência”, o “momento se mostrou oportuno” para ela “desferir mentiras”.

O documento ainda ressalta que, em vez de procurar diretamente a delegacia, a ex-namorada buscou pelo engenheiro Leniel Borel de Almeida, pai de Henry – o que, para o advogado, evidencia a perseguição do rapaz em produzir provas contra Jairinho e sua ex-mulher, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, inclusive contaminando testemunhas.

Para o advogado Leonardo Barreto, que defende Leniel, “como pai de um menino de 4 anos morto dessa maneira, ele não tem impedimento legal algum de buscar provas a fim de ajudar nas investigações e para que se chegue à verdade”.

Segundo o depoimento prestado pela ex-namorada, sua filha ficava nervosa, chorava e até vomitava ao ver Jairinho. A menina chegou a contar para a avó materna que também apanhava do parlamentar e que teve a cabeça afundada por ele embaixo da água de uma piscina. Um inquérito foi aberto na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) para apurar o caso.

Entenda o caso

O menino Henry Borel Medeiros morreu no dia 8 de março ao dar entrada em um hospital da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Segundo Leniel Borel, ele e o filho passaram o fim de semana anterior normal. Por volta das 19h do dia 7, o pai o levou de volta para casa, onde morava com a mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida, e com o vereador e médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade).

Ainda segundo o pai de Henry, por volta das 4h30 do dia 8, ele recebeu uma ligação de Monique falando que estava levando o filho para o hospital, porque o menino apresentava dificuldades para respirar.

Leniel afirma que viu os médicos tentando reanimar o pequeno Henry, sem sucesso. O menino morreu às 5h42, segundo registro policial registrado pelo pai da criança.

De acordo com o laudo de exame de necrópsia, a causa da morte do menino foi hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente. Para especialistas, ação contundente seria agressão.

Investigações

Como parte da investigação da morte de Henry, agentes da 16ª DP (Barra da Tijuca) fizeram uma espécie de reconstituição do último dia do menino, no domingo, quando estava em companhia do pai. Eles recolheram imagens de câmeras do circuito interno de um shopping, onde o garoto foi a um parquinho, e do condomínio em que Leniel Borel mora.

No dia 17, Monique e Dr. Jairinho foram ouvidos, separadamente, por cerca de 12 horas na 16ª DP. De acordo com a polícia, a mãe e o namorado só foram ouvidos nove dias depois do crime, porque Monique estaria em estado de choque, sob efeito de medicamentos.

No depoimento, ambos afirmaram que estavam em um quarto vendo série e, quando foram dormir, a mãe encontrou Henry caído no chão, ao lado da cama, com as extremidades frias e com dificuldade para respirar. Monique disse à polícia que acredita que o menino tenha caído da cama.

A equipe médica que atendeu Henry no hospital da Barra; a empregada da casa onde o menino morava com a mãe e o padrasto; a avó materna e uma ex-namorada de Jairinho prestaram depoimento aos policiais.

No dia 26, a Justiça autorizou a quebra do sigilo telefônica de todos os investigados, como pai, mãe, padrasto e avó materna, e a apreensão dos telefones celulares de todos. Policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em três endereços diferentes: da família de Monique, de parentes de Jairinho e na casa do pai de Henry.

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