Psicóloga foi procurada porque Henry não queria ficar na casa da mãe

Em depoimento, profissional contou ter realizado cinco consultas com o menino de 4 anos, que demonstrava afeto pelos avós maternos

atualizado 30/03/2021 16:11

Henry Borel MedeirosReprodução redes sociais

Rio de Janeiro – Em depoimento prestado na 16ª DP (Barra da Tijuca), na tarde da última segunda-feira (29/3), a psicóloga que realizava o acompanhamento terapêutico de Henry Borel Medeiros disse ter sido procurada pela mãe do menino, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, porque ele “não queria ficar” na casa onde morava com ela e o padrasto, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade).

De acordo com o jornal Extra, a profissional, que acompanhava o pequeno desde o início de fevereiro, contou ter realizado cinco consultas com a criança. A psicóloga relatou aos policiais que Henry demonstrava afeto pelos avós maternos e que o menino chegou a pronunciar o nome de Jairinho uma única vez, no último encontro.

A psicóloga contou ainda que, a partir da segunda sessão, passou a explorar o “espaço lúdico da criança”, brincando, desenhando e fazendo trabalho com massinhas. A profissional disse ter identificado que a casa dos avós maternos, em Bangu, zona oeste do Rio, onde Henry já morou e frequentava, era agradável, sobretudo pela presença do avô.

A depoente também relatou que Henry dizia morar com “um tio”. Perguntado quem era, o menino respondeu “Tio Jairinho”, sem demonstrar medo. Logo em seguida, disse estar com saudades do pai, o engenheiro Leniel Borel de Almeida.

De acordo com o depoimento da mãe de Henry, também na 16ª DP, a psicóloga foi escolhida para que orientasse a família nessa nova etapa de vida — em quatro meses, ela havia se separado e mudado para a casa do atual namorado. Lionel, pai do menino, afirmou que, após o pedido de divórcio, o casal chegou a conversar sobre a necessidade das consultas. Ele sugeriu uma profissional que atendia pelo plano de saúde, em Madureira, na zona norte do Rio, mas a professora optou por essa, pela proximidade do seu consultório.

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Entenda o caso

Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morreu no dia 8 de março, uma segunda-feira, após dar entrada em um hospital da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Segundo Leniel Borel, ele e o filho passaram o fim de semana juntos, sem intercorrências. Por volta das 19h do dia 7, o pai o levou de volta para casa, onde o menino morava com a mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida, e com o vereador e médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade).

Ainda de acordo com Leniel, por volta das 4h30 do dia 8, ele recebeu uma ligação de Monique. Na chamada, ela afirmou estar levando o filho para o hospital.

Henry morreu às 5h42, segundo registro policial registrado pelo pai da criança. De acordo com o laudo de exame de necrópsia, a causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente. Para especialistas, ação contundente seria agressão.

Investigações

Como parte da investigação da morte de Henry, agentes da 16ª DP (Barra da Tijuca) fizeram uma espécie de reconstituição do último dia do menino, no domingo, quando estava em companhia do pai. Eles recolheram imagens de câmeras do circuito interno de um shopping, onde o garoto foi a um parquinho, e do condomínio em que Leniel Borel mora.

No dia 17, Monique e Dr. Jairinho foram ouvidos, separadamente, por cerca de 12 horas na 16ª DP. De acordo com a polícia, a mãe e o namorado só foram ouvidos nove dias depois do crime, porque Monique estaria em estado de choque, sob efeito de medicamentos.

No depoimento, ambos afirmaram que estavam em um quarto vendo série e, quando foram dormir, a mãe encontrou Henry caído no chão, ao lado da cama, com as extremidades frias e com dificuldade para respirar. Monique disse à polícia que acredita que o menino tenha caído da cama.

A equipe médica que atendeu Henry no hospital da Barra; a empregada da casa onde o menino morava com a mãe e o padrasto; a avó materna e uma ex-namorada de Jairinho prestaram depoimento aos policiais.

No dia 26, a Justiça autorizou a quebra do sigilo telefônica de todos os investigados, como pai, mãe, padrasto e avó materna, e a apreensão dos telefones celulares de todos. Policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em três endereços diferentes: da família de Monique, de parentes de Jairinho e na casa do pai de Henry.

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