Polícia prende 15 pessoas ligadas à milícia da Muzema e Rio das Pedras

Entre os acusados estão os donos da construtora dos edifícios que desabaram na Muzema, matando 24 pessoas em abril de 2019

atualizado 23/09/2021 9:52

Fernando Frazão / Agência Brasil

Rio de Janeiro – A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a Operação Blood Money, na manhã desta quinta-feira (23/9). O objetivo é cumprir 23 mandados de prisão temporária contra uma quadrilha que atua na lavagem de dinheiro das milícias, que dominam os territórios da Muzema e de Rio das Pedras, ambas na zona oeste do RJ. Até as 9h desta quinta, 15 pessoas já haviam sido presas.

O grupo foi identificado a partir das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Desta forma, a polícia conseguiu apurar outros crimes praticados por milicianos ou por quadrilhas que agem em favor dos paramilitares.

De acordo com a reportagem do jornal O Globo, a quadrilha camuflava valores de negócios ilícitos com apoio de laranjas e empresas de fachada do ramo da construção. Um dos argumentos que fundamentam a investigação é a atuação do casal Cintia Bernardo da Silva e Rafael Gomes da Costa, também alvo das investigações sobre o desabamento de dois prédios na Muzema, que causaram a morte de 24 pessoas em abril de 2019.

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As quantias movimentadas pelo casal e por um terceiro integrante da quadrilha, Laerte Silva de Lima, chamaram a atenção dos investigadores. Laerte já havia sido denunciado e preso na Operação Intocáveis I, em janeiro de 2019. Conforme as investigações, a milícia utilizou técnica conhecida como mescla, misturando dinheiro lícito com ilícito em sucessivas transações financeiras.

Ligação com Adriano da Nóbrega

Ainda segundo a reportagem de O Globo, Laerte integrava o grupo de milicianos comandado pelo ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, que foi morto na Bahia, no ano passado. Adriano também chefiava um grupo de matadores de aluguel no Rio de Janeiro.

Segundo o relatório das investigações da 18ª DP (Praça da Bandeira), Laerte encabeçava as transações ilegais ao lado de Francisco das Chagas de Brito Castro. Além da ligação com o Adriano na Nóbrega, a quadrilha também estava envolvida com o major Ronald Paulo Alves Pereira, o major Ronald, outro acusado de liderar a milícia da região.

As investigações confirmaram a ligação dos investigados com o mercado imobiliário da região. “No caso dos autos, restou evidente que os ativos reciclados eram provenientes de atividades típicas de grupos paramilitares vulgarmente conhecidos como “milícia”, tais como extorsão de moradores e comerciantes por meio de cobrança de taxas, agiotagem, utilização de ligação clandestina de água e energia para abastecimento dos empreendimentos imobiliários, construção, locação e venda ilegal de imóveis, etc”, diz o texto do documento que pede à Justiça a prisão dos acusados .

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