Polícia investiga pais de bebê em estado grave com mais de 30 lesões

Investigação já solicitou exame de corpo de delito para verificar se ferimentos foram causados intencionalmente ou por descuido, em Anápolis

atualizado 12/05/2021 16:21

goias bebe foi atendido com mais de 30 lesoesReprodução/TV Anhanguera

Goiânia – Em novo depoimento à polícia nesta quarta-feira (12/5), um profissional de almoxarifado de 27 anos disse ter ficado “surpreso” ao perceber a situação de sua filha, de 6 meses, perdendo os sinais vitais, em seu colo, na casa deles, em Anápolis, a 55 quilômetros de Goiânia. A bebê foi transferida a unidade de terapia intensiva (UTI) de um hospital em Goiânia. O quadro de saúde dela é grave.

O pai e a mãe da bebê, uma dona de casa de 33 anos, são investigados após levar a criança, na segunda-feira (10/5), a uma unidade de saúde municipal, com mais de 30 lesões espalhadas pelo corpo.

“O genitor do bebê afirma que é possível que tenha machucado, sem intenção, sua filha, ao abaixar-se, com ela em seu colo, para pegar um celular que estava sobre a cama, com a intenção de mudar o vídeo a que ela assistia, bem como ao massagear o tórax dela para reanimá-la”, conta a delegada Kênia Dutra Segantini, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis, ao Metrópoles.

Kênia afirma que, durante o depoimento, percebeu que o pai estava “preocupado”. “É difícil numa situação dessa estar tranquilo. Ele mesmo relatou que está difícil a concentração por causa da preocupação com a bebê, que está no hospital”, acrescenta ela.

Exame

A delegada afirma que o exame de corpo de delito deverá ser realizado nos próximos dias, para apontar a causa dos ferimentos na bebê. “Pretendemos esclarecer se essas lesões foram causadas intencionalmente, ou por descuido, em algum acidente, e de que forma ocorreram”, diz.

O último boletim médico informou que a bebê respira com ajuda de aparelhos, e o estado de saúde dela é grave. A mãe da criança a acompanha no hospital.

Na noite de terça-feira (11/5), segundo a responsável pela investigação, uma equipe de policiais realizou perícia na residência da família. De acordo com ela, a mãe da criança, que é dona de casa, e vizinhos serão também ouvidos nos próximos dias.

Os nomes dos casal e da bebê não foram divulgados pela Polícia Civil, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para preservar a criança.

Entenda o caso

O caso foi denunciado para a polícia depois de a bebê ser levada, na noite de segunda-feira (10/5), a uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Anápolis, com sinais de hematomas pelo corpo inteiro e muita dificuldade para respirar. Uma médica desconfiou da situação e suspeitou que estivesse diante de uma criança vítima de maus-tratos.

Os profissionais de saúde disseram que a recém-nascida não estava respondendo aos estímulos. De acordo com relatos da mãe ao Conselho Tutelar e à Polícia Militar, o pai estava com a criança no colo ao perceber que a filha não estava bem. Ele chegou a ser levado para a delegacia, onde alegou que não sabia o motivo dos hematomas. Em seguida, foi liberado.

Depois de receber atendimento inicial na UPA, a bebê foi transferida, às pressas, para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), onde permanece internada, na capital.

O Conselho Tutelar informa que não houve qualquer denúncia anterior relacionada aos pais da criança.

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