Polícia dá prazo até as 12h de sábado para João de Deus se entregar

Caso o médium não se apresente, será considerado foragido. Ele foi procurado em mais de 20 endereços. Interpol está de prontidão

atualizado 15/12/2018 10:46

Filipe Cardoso/Especial para o Metrópoles

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) deu um ultimato ao médium João de Deus: ele tem até o meio-dia de sábado (15/12) para se entregar, caso contrário será considerado foragido. Na noite desta sexta (14), o delegado-geral do estado, André Fernandes, informou que o paradeiro do líder espiritual era “incerto e não sabido”.

Policiais fizeram buscas em mais de 20 endereços, sem sucesso. A Polícia Internacional (Interpol) já foi acionada para evitar uma eventual tentativa de fuga ao exterior. A Infraero – estatal que administra a maior parte dos aeroportos do país – também recebeu notificação sobre o caso: se o médium tentar embarcar em algum voo, as autoridades serão acionadas.

Ainda na noite de sexta (14), Fernandes assegurou: o trabalho seguirá ininterruptamente, mesmo que precise avançar madrugada adentro. O delegado está à frente da força-tarefa designada para caçar o médium nas ruas de municípios goianos.

Não vamos esperar a vontade dele de se apresentar. A busca não para, só vai substituindo as equipes. De noite, de madrugada, em qualquer lugar

André Fernandes, delegado-geral de Goiás

Apesar dos esforços dos policiais, a Constituição Federal impede o cumprimento de mandados de prisão à noite. Portanto, mesmo que o médium seja localizado, ele só poderá ser preso a partir das 6h, a não ser que se entregue voluntariamente.

O delegado confirmou que há conversas com os advogados para acertar a entrega, mas disse não haver garantia por parte da defesa de João de Deus. “Está tendo uma negociação para ele se entregar, mas a gente nem sabe onde vai ser”, disse.

João de Deus é acusado de centenas de abusos sexuais a mulheres que buscavam atendimento na Casa Dom Inácio de Loyola, centro espírita de Abadiânia (GO), Entorno do Distrito Federal.

A Justiça acatou pedido da força-tarefa da Polícia Civil de Goiás para a prisão de João de Deus. A defesa divulgou uma nota afirmando que pedirá habeas corpus contra a decisão, mas isso não exclui a apresentação espontânea. Segundo os defensores, a decisão do juiz é “ilegal e injusta”.

O advogado Thales Jayme falou ao Metrópoles que está negociando as condições de entrega com o diretor-geral da PCGO. Uma tentativa para que o médium fosse preso em Anápolis foi feita na tarde desta sexta-feira (14), mas as características do local não satisfizeram os defensores.

“É pela integridade do seu João. É claro que ele não vai ficar foragido para sempre. Estamos procurando um local seguro”, informou.

A polícia percorre endereços de João de Deus em Abadiânia e Anápolis, ambos municípios goianos. Os advogados manifestaram preocupação com a integridade física do “líder espiritual”. Ao jornal O Popular, o secretário de Segurança Pública de Goiás, Irapuan Costa Junior, disse que “parece que ele está escondido”.

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Assessores mais próximos acreditam que João de Deus vai se entregar. É o caso de Chico Lobo, braço direito do médium. “A situação fugiu do controle de todos e esperamos o melhor desfecho. Pessoalmente, acredito que ele seja inocente. Trabalho há 14 anos com João de Deus e, nessa história, tem muitas coisas que não se encaixam”, disse Lobo ao Metrópoles.

Oração por João de Deus
Às 14h desta sexta (14/12), os frequentadores fizeram uma breve oração pelo médium João de Deus, depois prosseguiram normalmente com as atividades. No sábado (15), o local terá, pela manhã, na Casa da Sopa, a comemoração de Natal. O administrador, Chico Lobo, explica que a festa ocorre há 15 anos e será celebrada novamente, independentemente dos acontecimentos.

Nem todos estão a par da situação desde que a prisão foi decretada. Jacilda Oliveira, 52 anos, trabalha como voluntária no local há três décadas. Ela mostrou-se surpresa ao saber da decisão judicial, expedida pelo juiz Fernando Augusto Chacha de Rezende, da Vara Criminal de Abadiânia.

“A gente deixa a Justiça cuidar disso. Mas eu venho aqui há 30 anos e afirmo que João de Deus sempre foi puro carinho, amor e caridade. Nunca faltou respeito com ninguém. Como voluntários, o que fazemos é doar o amor que ele nos dá. Não tem como alguém como ele ter feito essas coisas. Acredito na inocência”, destacou.

Uma outra mulher, a qual não quis se identificar, garante que não acredita nas denúncias. “Venho aqui há um ano e meio. No meu primeiro dia, sonhei com João de Deus. Nele [no sonho], ele anunciou que teria dois netos, e logo que cheguei em casa tive a notícia confirmada”, contou.

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