PM da Bahia detém jornalistas da revista Veja em serviço
Repórter e fotógrafo apuram a morte do miliciano Adriano da Nóbrega e tentavam entrevistar testemunha-chave
atualizado
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A Polícia Militar da Bahia (PMBA) deteve, nesta sexta-feira (14/02/2020), dois repórteres da revista Veja que tentavam entrevistar o fazendeiro Leandro Abreu Guimarães, dono do sítio onde estava o miliciano Adriano da Nóbrega quando foi morto, no último domingo (09/02/2020). Segundo a publicação da revista, os dois ficaram na delegacia por cerca de 20 minutos.
O repórter Hugo Marques e o fotógrafo Cristiano Mariz contaram que foram cercados por viaturas da PM e obrigados a deixar o carro em que estavam com as mãos para o alto, pois seriam revistados. Mesmo tendo visto as credenciais de imprensa dos dois, os policiais insistiram para saber como eles haviam localizado o endereço.
O gravador de Hugo, no qual estavam registradas entrevistas sobre a operação policial que matou o miliciano – peça-chave em dois episódios investigados pelo Ministério Público (MP), a morte da vereadora Marielle Franco (PSol), em março de 2018, e a suspeita de “rachadinha” no gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) – foi apreendido. Depois que os dois foram interrogados na delegacia, o repórter recuperou o equipamento.
À Veja, a PM informou que eles foram detidos e interrogados como “medida de segurança”, por estarem em frente à residência de uma testemunha-chave do caso. Leandro foi a última pessoa a ver o miliciano com vida.
Nesta semana, a revista traz fotos do cadáver do miliciano Adriano da Nóbrega que, alegadamente, corroboram com a defesa dele e da viúva, que aponta execução e “queima de arquivo”. As imagens reforçam a versão de que Adriano foi morto com tiros a curta distância. Oficialmente, a polícia da Bahia, onde ele foi localizado após ter ficado um ano foragido, disse que o miliciano reagiu à ordem de prisão, estava armado e morreu após troca de tiros.
