PF faz operação contra empresa alvo da CPI por suspeita de lavagem de dinheiro

São cumpridos oito mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Minas Gerais. Essa é a terceira ação no mês contra empresas de Maximiano

atualizado 30/09/2021 9:02

Depoente, Francisco Maximiano, sócio-proprietário da Precisa Medicamentos na CPI da Pandemia no Senado FederalRafaela Felicciano/Metrópoles

Investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, a empresa Global Gestão em Saúde é alvo de mandados de busca e apreensão, na manhã desta quinta-feira (30/9), em operação que apura suposto esquema de lavagem de dinheiro e corrupção.

A ação é realizada pela Polícia Federal (PF), em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF). Trata-se da Operação Acurácia, considerada a 14ª fase da Operação Descarte. São cumpridos oito mandados de busca e apreensão na grande São Paulo e na cidade de Passos, em Minas Gerais.

As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

O presidente da Global é Francisco Emerson Maximiano, que também é dono da Precisa Medicamentos, outra empresa investigada pela CPI da Covid por ter intermediado a venda da vacina indiana Covaxin, produzida pela Bharat Biotech, ao governo brasileiro. O Ministério da Saúde pretendia comprar 20 milhões de doses do imunizante contra a Covid-19, por meio de um contrato de R$ 1,6 bilhão, sob suspeita de superfaturamento.

O objetivo da Operação Acurácia, segundo a PF, é apurar esquema de lavagem de dinheiro e corrupção de agentes políticos em troca de apoio na contratação de empresas pertencentes aos investigados por empresas públicas do governo federal.

A Polícia Federal descobriu que o grupo investigado simulou várias operações comerciais e financeiras inexistentes com a finalidade de desviar dinheiro de empresas que atuam na área de medicamentos para empresas de fachada. “O intuito dessas operações fictícias era gerar dinheiro em espécie, utilizado como propina a agentes políticos como pagamento em troca de favorecimento na contratação das empresas por estatais”, diz a PF.

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A participação dos executivos, funcionários e sócios das empresas envolvidas nas operações simuladas é investigada pela corporação.

“Os envolvidos poderão responder, na medida de sua participação nos fatos, pelos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e passiva, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operação de instituição financeira sem autorização”, completou a Polícia Federal.

Essa é a terceira operação da PF contra empresas de Maximiano realizadas neste mês. Após pedido da CPI da Covid, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão contra a Precisa, no último dia 17 de setembro, em Barueri e em Itapevi, no estado de São Paulo. Quatro dias depois, em 21/9, a Global foi alvo da operação Pés de Barro, que apura fraudes na aquisição de medicamentos de alto custo por força de decisão judicial pelo Ministério da Saúde. Nesse caso, os supostos crimes teriam ocorrido nos anos de 2016 e 2018.

Outro lado

Em nota, os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, defensores de Francisco Maximiano e da Global Saúde, afirmaram que “chega a ser surreal repetir a mesma busca e apreensão pela terceira vez em 13 dias, dessa vez para ir atrás de documentos sobre o que delatores disseram que teria acontecido sete anos atrás”.

“Não há qualquer contemporaneidade ou qualquer elemento mínimo para justificar essa operação. O que há, sim, é um oportunismo, graças ao retorno da pirotecnia em torno das operações policiais que, em tempos racionais, jamais seriam deferidas pelo Poder Judiciário, ante a manifesta ausência de fundamentação”, prosseguiram Figueiredo e Velloso.

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