Paraisópolis: “O corpo está muito machucado”, diz irmã de vítima

O cenário no IML, onde os parentes foram buscar os corpos, era de desolação. Havia gritos e choros daqueles que perderam entes queridos

Yago Sales/Esp. para o MetrópolesYago Sales/Esp. para o Metrópoles

atualizado 02/12/2019 18:03

O corpo de uma das vítimas da tragédia que resultou em nove mortos na favela de Paraisópolis, em São Paulo, estava muito machucado. O relato sobre o estado de Bruno Gabriel dos Santos, de 22 anos, foi feito pela sua irmã, Vanine Cristiane Siqueira, de 39, que foi até o Instituto Médico Legal (IML) para dar início aos cortejos fúnebres.

“Eu queria ver o corpo para saber se tinha bala”, contou Vanine ao deixar a sala do necrotério do IML após reconhecer o corpo do irmão.

“É preciso averiguar porque esses jovens. Escutei que eram todos bandidos. Meu irmão não era qualquer um. Não é assim, não. Vou Até o fim para descobrir a verdade”, prosseguiu, antes de lamentar: “ele estava muito, muito machucado”.

Com a fala pausada, ela intercalava a descrição com momentos de silêncio e soluços para controlar as lágrimas.

Na parte de dentro do IML, ouvia-se gritos e choros altos dos parentes que estavam atrás de resgatar os corpos dos seus parentes.

Reconhecimento
As famílias das vítimas começaram a reconhecer os corpos das nove pessoas que morreram em uma confusão durante baile funk na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. A tragédia ocorreu na madrugada desse domingo (01/12/2019), como resultado de uma ação da Polícia Militar.

A primeira vítima a ser reconhecida foi identificada como Marcos Paulo Oliveira dos Santos. O adolescente tinha 16 anos, era estudante e morava no Jaraguá, Zona Norte de São Paulo.

De acordo com a família, foi a primeira vez que Marcos foi ao baile funk de Paraisópolis. Os parentes não sabiam que ele tinha ido. O rapaz havia dito para a avó que ia comer pizza com os amigos.

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