Ouvidor de SP pede que PF investigue tiroteio entre policiais em MG
Caso acabou com dois empresários baleados e um policial mineiro morto. As apurações também serão acompanhadas por uma comissão de promotores
atualizado
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O ouvidor estadual de São Paulo, Benedito Mariano, pediu, nesta terça-feira (23/10), a entrada da Polícia Federal na investigação sobre o tiroteio envolvendo agentes de São Paulo e de Minas, ocorrido na sexta em Juiz de Fora (MG). O confronto acabou com dois empresários baleados e um policial mineiro morto. As apurações também serão acompanhadas por uma comissão de cinco promotores mineiros, criada pelo Ministério Público. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Conforme as investigações iniciais, o empresário paulista Flávio de Souza Guimarães teria ido a Juiz de Fora trocar dólares por reais e, para isso, teria contratado uma empresa de segurança. Esta chamou para a escolta policiais civis.
Em Minas, a outra parte na suposta negociação seria o também empresário Antonio Vasconcelos, que traria os reais. Ele também teria contratado policiais civis para escolta. A troca de tiros supostamente ocorreu após ter sido descoberto que os reais, cerca de R$ 14 milhões, seriam falsos.
O secretário de Segurança de Minas, Sérgio Barbosa Menezes, disse à imprensa nesta terça que a apreensão poderia justificar a entrada no caso da PF. “A investigação desse crime (falsificação de dinheiro) é da PF”, ressaltou, destacando que as duas polícias estaduais vêm trabalhando em conjunto.
De acordo com Benedito Mariano, “a apuração trabalha com vários crimes: homicídio, lavagem de dinheiro, prevaricação (por parte dos mineiros), estelionato e organização criminosa” e a entrada dos agentes federais se faz necessária pelo fato de haver policiais de dois Estados sob suspeita de ação ilegal.
A solicitação foi feita tanto à PF quanto ao ministro da Segurança, Raul Jungmann. A Polícia Federal informou que recebeu o ofício da Ouvidoria. A análise dependeria também da competência do caso passar da esfera da Justiça estadual para a federal.
Ainda em Minas, o procurador-geral de Justiça, Darcy de Souza Filho, determinou o acompanhamento do caso por uma força-tarefa especial. Ela será formada pelos promotores Juvenal Martins Folly e Cleverson Raymundo Sbarzi Guedes, da Comarca de Juiz de Fora; pela procuradora de Justiça Cássia Virgínia Serra Teixeira Gontijo, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco); e pelos promotores Rodrigo Gonçalves Fonte Boa e Luiz Felipe de Miranda Cheib, também do Gaeco.
Policiais presos
Quatro policiais civis de São Paulo estão presos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande Belo Horizonte. Jerônimo da Silva Leal Júnior, que seria o dono da empresa de segurança contratada pelo empresário paulista, foi baleado no abdome e continua internado em estado grave no Hospital Monte Sinai.
Todos tiveram prisão temporária convertida em preventiva. A participação de policiais civis de Minas Gerais no caso é investigada, mas ninguém foi preso até agora.
Nessa segunda-feira (22), Flávio Guimarães, em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, disse que, na verdade, teria viajado a Minas para pedir empréstimo para sua empresa.
Sem antecedentes
Os policiais paulistas envolvidos não tinham antecedentes de infrações funcionais graves. O delegado Rodrigo Castro Salgado da Costa, de 31 anos, do Grupo de Operações Especiais (GOE), seria amigo do investigador Jorge Alexandre de Miranda, de 50 anos, que por sua vez é meio-irmão de Leal Junior.
O dono da empresa de segurança teria conversado com Miranda sobre o trabalho, pedindo que o ajudasse a recrutar policiais para escolta. O convite chegou a Costa que, por sua vez, exigiu que outros policiais, seus amigos, participassem da operação.
Os detalhes do “desacerto”, o desentendimento que resultou no tiroteio no estacionamento, ainda não estão claros. O agente mineiro Rodrigo Francisco, de 36 anos, foi morto no confronto em Juiz de Fora.
