MBL defende membro acusado de racismo, mas admite expulsão
Cozinheira de bar em Belo Horizonte diz que foi chamada de ‘crioula’ e levou chute de porta-voz do grupo. Ele nega acusações e se diz vítima
atualizado
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Um homem de 24 anos que atua como porta-voz do Movimento Brasil Livre (MBL) em Minas Gerais se envolveu em uma confusão em um bar de Belo Horizonte no último sábado (09/11/2019) e está sendo acusado de agressão e injúria racial por uma funcionária do local. Em nota divulgada nesta segunda-feira (11/11/2019), o MBL defende o filiado e chama a denúncia de “acusações mentirosas”, mas informa que vai expulsá-lo caso as investigações mostrem que ele é culpado.
Thiago Loureiro Dayrell Costa chegou a ser preso por injúria racial e pagou R$ 1 mil de fiança para ser liberado, segundo o jornal O Estado de Minas. O Metrópoles entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais para confirmar a informação, mas ainda aguarda resposta.

As versões sobre a ocorrência são discordantes. A cozinheira Eliana da Silva, 43 anos, declarou à polícia que tentou interferir em uma discussão entre Costa e outra funcionária do estabelecimento e foi agredida por ele: além de ser chamada de “crioula”, ela teria sido segura pelo pescoço e chutada na perna pelo homem. A mulher, que é diabética, chegou a passar mal e desmaiar após a confusão, segundo testemunhas.
“É uma dor na alma que eu vou carregar pelo resto na vida. Estou com o meu emocional abalado. Em pleno 2020 ter que passar por isso? Não tenho palavras para descrever”, disse ela, segundo o portal G1.
Já o porta-voz do MBL disse à polícia que a briga começou quando ele, que bebia uma cerveja com a namorada na área externa do Takos Mexican Gastrobar, que fica no bairro da Savassi, entrou no estabelecimento para reclamar da demora na comida que havia pedido. Ele disse que foi xingado por um funcionário e colocado para fora a socos e chutes. Thiago Costa negou ter usado palavras de cunho racista na discussão.
MBL vê perseguição
Em nota, a coordenação nacional do MBL informou que “repudia a escalada de acusações mentirosas contra o coordenador Thiago Dayrell nas últimas 24 horas”. “Como se pode ver pelo próprio vídeo gravado, não há qualquer ofensa racial proferida pelo rapaz. Ao Contrário. A agressão efetiva foi cometida pelos funcionários do estabelecimento contra ele, como ficou comprovado em boletim de ocorrência feito após o incidente, que traz fotos de marcas e escoriações provocadas pelas agressões”, diz a nota. O MBL, porém, não mostra o vídeo citado.
O texto diz ainda que o MBL reprova “o comportamento de Thiago em tomar parte em discussões baixas, e O EXPULSAREMOS CASO A ACUSAÇÃO APRESENTE VALIDADE. A prova cabal do vídeo, porém, torna o argumento dos agressores extremamente frágil. A má-fe envolvida na acusação resta patente.”. A frase em caixa alta está assim no original.
Por fim, o movimento classifica o ocorrido como uma armação. “Mais do que a situação específica de Thiago Dayrell, o que está em jogo, neste caso, é a tentativa (…) dos inimigos do trabalho do MBL contra a corrupção e a favor das liberdades civis, de colar a pecha de racista no Movimento Brasil Livre”, diz o comunicado.
