Jovem de 18 anos é morto em ação policial durante entrega de cestas básicas

João Vitor Gomes da Rocha foi baleado e morreu em hospital municipal, dois dias após adolescente de 14 anos ter morrido durante outra ação

atualizado 20/05/2020 22:32

O jovem João Victor Gomes da Rocha, de 18 anos, foi morto após ser baleado em tiroteio nesta quarta-feira (20/05) na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro (RJ). A Policia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) confirmou ter feito uma operação na comunidade, que terminou com um homem atingido e levado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge.

João Victor foi levado para o hospital Lourenço Jorge sem identificação. Pouco antes das 22h, informou a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o corpo do jovem foi reconhecido por familiares e será encaminhado ao Instituto Médico-Legal.

A operação foi deflagrada enquanto o grupo Frente Cidade de Deus (Frente CDD) fazia a distribuição de cestas básicas na favela carioca para moradores afetados pela pandemia do novo coronavírus. Eles ficaram presos no local e relataram, pelo Twitter, ter sido intimidados pelos agentes.

Integrantes da frente confirmaram que o jovem morreu após a operação. O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ), mas ainda não obteve retorno.

O educador, conselheiro tutelar e morador da Cidade de Deus Jota Marques acusou os policiais militares de apontarem armas para eles enquanto tentavam entrar no carro. O grupo teria informado aos agentes, então, que estavam distribuindo comida e recebido como resposta que “se não quisessem ser baleados, que saíssem com bíblias na mão”.

“Somos todos da Cidade de Deus, na Frente CDD, educadores, trabalhadores locais, artistas. Estávamos numa ação entregando 200 cestas básicas para as famílias da região Pantanal. Disseram que iam cuidar de nós”, narrou.

João Felix, ator e membro da Frente CDD, questionou: “Estava rolando uma ação social e a polícia chegou. Eu quero entender por que a polícia chegou atirando no meio de uma ação de entrega de cestas básicas?”.

A morte de João Vitor ocorre dois dias depois de um adolescente de 14 anos, João Pedro Mattos Pinto, ter sido baleado durante operação da Polícia Federal e da Polícia Civil também no Rio de Janeiro. Ele foi levado do local em um helicóptero da polícia sem o consentimento da família, que ficou sem notícias dele até o dia seguinte, quanto o corpo do garoto foi localizado no no Instituto Médico Legal (IML) de São Gonçalo.

PEMRJ
Ao Metrópoles, a assessoria da PM do Rio confirmou que as equipes do 18º Batalhão e da 41ª Delegacia de Polícia (Tanque) fizeram uma ação conjunta na comunidade para “checar denúncias sobre tráfico de drogas”. “Durante a entrada das equipes, os criminosos atiraram e houve confronto”, informaram, acrescentando ter apreendido uma pistola no local.

A PM não esclareceu detalhes sobre o homem baleado e disse que a ocorrência “segue em andamento’.

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