
PL projeta um terço do Senado, mas não terá força para pauta anti-STF
Mesmo no cenário mais otimista, partido dependerá de aliados para controlar a pauta da Casa e afastar um ministro do Supremo

Mesmo se eleger os 28 senadores projetados por Valdemar Costa Neto, o PL chegará a 36 cadeiras ao somar os oito mandatos conquistados em 2022. O número não basta para controlar sozinho a pauta do Senado nem para afastar um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Para avançar com uma agenda contra a Corte, o partido terá de recorrer a alianças.
Valdemar apresentou a meta após uma reunião com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O resultado daria ao PL 44% das 81 cadeiras e ampliaria de forma expressiva o poder de negociação da legenda.
Os oito senadores eleitos pelo partido em 2022 são Magno Malta (ES), Wilder Morais (GO), Rogério Marinho (RN), Jaime Bagattoli (RO), Jorge Seif (SC), Marcos Pontes (SP), Wellington Fagundes (MT) e Romário (RJ). Os mandatos terminam em 2031.
Neste ano, 54 vagas estarão em disputa, duas por estado e pelo Distrito Federal. Os eleitos se juntarão aos 27 senadores escolhidos em 2022, o que transformou a renovação da Casa em uma das prioridades do bolsonarismo.
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Valdemar, porém, não apresentou uma lista fechada com os 28 nomes que espera eleger. A declaração representa uma projeção de resultado. O PL terá candidatos próprios, mas também conta com a vitória de aliados de outras legendas.
Entre os nomes já lançados ou apresentados como pré-candidatos estão Michelle Bolsonaro (DF), Bia Kicis (DF), Domingos Sávio (MG), Sanderson (RS), Marcelo Queiroga (PB), João Roma (BA), Anderson Ferreira (PE), José Medeiros (MT), Filipe Barros (PR), Gustavo Gayer (GO), Carlos Bolsonaro (SC) e Caroline de Toni (SC).
O grupo também conta com aliados como Marcel van Hattem (Novo-RS), Ciro Nogueira (PP-PI), Styvenson Valentim (Podemos-RN) e Deltan Dallagnol (Novo-PR). Outros nomes citados nas articulações do PL ainda dependem de definição partidária.
A conta não fecha
- A matemática limita a estratégia. Cabe ao presidente do Senado decidir se dá andamento a um pedido. Caso o processo avance, são necessários 41 votos para autorizar a abertura do julgamento e 54 para condenar e afastar o ministro;
- Com 36 cadeiras, o PL ficaria cinco votos abaixo do primeiro patamar e 18 abaixo do segundo. Mesmo se todos os nomes previstos por Valdemar vencerem, a legenda ainda dependerá do Centrão e de outros partidos de direita;
- A dificuldade também passa pelo comando da Casa. Em 2025, a oposição reuniu 41 assinaturas a favor do impeachment de Alexandre de Moraes, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não deu andamento ao pedido. O regimento assegura ao chefe da Casa a prerrogativa de receber ou arquivar a denúncia;
- Nenhum ministro do STF perdeu o cargo por impeachment na história do país. A eleição de 28 nomes daria ao PL força para negociar o comando do Senado e pressionar o próximo governo, mas não permitiria ao partido cumprir sozinho a agenda defendida pelo bolsonarismo contra a Corte.
A pauta contra o STF
A estratégia retoma um discurso repetido por Jair Bolsonaro (PL). Em 2025, o ex-presidente afirmou que pretendia conquistar 50% da Câmara e do Senado para “mudar o destino do Brasil”, mesmo sem voltar ao Palácio do Planalto.
Aliados também passaram a associar uma maioria no Senado à possibilidade de avançar com pedidos de impeachment contra ministros do STF. Valdemar, no entanto, já afirmou ao Metrópoles que é contra o afastamento de integrantes da Corte.









