Sucesso nacional, Pix vira alvo de briga eleitoral. Saiba quem o criou
Citado por aliados de Bolsonaro e Lula, sistema foi lançado em 2020 e revolucionou as transferências bancárias no país

Nos últimos meses, o Pix, sistema de pagamentos instantâneos usado por milhões de brasileiros, passou a ser citado por diferentes agentes políticos em meio ao cenário eleitoral, com referências à sua criação e aos resultados alcançados desde a implementação.
A ferramenta, que permite transferências em tempo real, foi desenvolvida pelo Banco Central (BC) e entrou em operação em novembro de 2020.
A criação do Pix faz parte de uma agenda do BC voltada à modernização do sistema financeiro. Os estudos para implantação começaram em 2018, ainda antes do lançamento, com a proposta de ampliar a concorrência no setor de pagamentos e reduzir custos para usuários.
À época, o BC era presidido por Roberto Campos Neto, responsável pela condução da fase final de implementação do sistema. O projeto, no entanto, foi estruturado por equipes técnicas da instituição ao longo de diferentes gestões.
Entre os principais responsáveis pela concepção e implementação do Pix, está o economista Carlos Eduardo Brandt, então chefe-adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central, frequentemente apontado como um dos idealizadores do sistema, embora ele próprio ressalte que o projeto foi resultado de um trabalho coletivo.
Desde o lançamento, o Pix registrou rápida adesão. Dados da autoridade monetária mostram que o sistema passou a concentrar a maior parte das transferências realizadas no país, superando modalidades como TED e DOC.
O Pix no debate político
Com tamanho alcance, o Pix rapidamente deixou de ser apenas uma ferramenta financeira para se tornar tema político. Em períodos eleitorais, diferentes grupos passaram a disputar a narrativa sobre sua criação e sucesso.
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) destacam que o sistema foi lançado durante sua gestão, associando a iniciativa à agenda econômica liberal da época. Já integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ressaltam o caráter institucional do BC e o fato de o projeto ter sido concebido antes, como parte de uma política contínua.
O tema ganhou novo folego após declarações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que citou o Pix ao comentar o sistema de transferências dos Estados Unidos, o Zelle.
“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então, dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, disse na ocasião.
A fala ocorreu em meio à repercussão de investigações conduzidas por autoridades norte-americanas sobre práticas comerciais e regulatórias e que cita a tecnologia Brasileira para justificar a imposição de tarifas comerciais de 25%.
Momentos em que o Pix ganhou protagonismo no governo Lula
- Em 2025, viralizaram posts dizendo que o governo iria taxar o Pix; a medida tratava apenas de fiscalização de movimentações e não previa cobrança sobre transferências;
- Diante da desinformação e reação negativa, o governo revogou a norma que ampliava o monitoramento;
- Ainda em 2025, autoridades norte-americanas abriram apuração sobre práticas no setor de pagamentos digitais; o Pix entrou no debate por ser o principal sistema brasileiro;
- Já em 2026, o governo norte-americano decidiu propor tarifas de 25% contra o Brasil em relatório que cita a infraestrutura como concorrência desleal contra empresas estadunidenses;
- Eduardo Bolsonaro menciona o Pix ao comentar sistemas dos EUA, como o Zelle, em meio à repercussão internacional;
- Integrantes do governo passaram a reforçar o caráter institucional do Pix e seu papel como sistema público de pagamentos e de soberania financeira para o país.
Importância do Pix
Um dos efeitos mais relevantes da tecnologia foi a ampliação da inclusão financeira. Pessoas que antes tinham acesso limitado a serviços bancários passaram a movimentar dinheiro digitalmente com facilidade.
Ao mesmo tempo, o sistema também facilitou transações na economia informal, permitindo pagamentos rápidos sem necessidade de maquininhas de crédito ou dinheiro em espécie. Pequenos empreendedores, ambulantes e prestadores de serviço passaram a adotar o Pix como principal meio de recebimento.
Esse avanço, porém, também trouxe desafios regulatórios, como o monitoramento de fraudes e o debate sobre rastreabilidade de transações.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todas









