Vereadora pivô de briga entre Michelle e Flávio "herda" vaga na Câmara
Priscila Costa faz parte da crise entre os bolsonaristas. Ela assume o cargo por causa da perda de mandatos de dois parlamentares

A vereadora de Fortaleza (CE) Priscila Costa (PL), presidente do PL Mulher do Ceará, assumirá uma vaga na Câmara dos Deputados após o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), oficializar a perda dos mandatos os deputados Dayany Bittencourt (União-CE) e Paulão (PT-AL). A parlamentar é o pivô da briga entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
A decisão de Motta é dessa quinta-feira (10/11) e cumpre decisões da Justiça Eleitoral que determinaram a retotalização dos votos das eleições de 2022 no Ceará e em Alagoas. Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL) assumirá a vaga que era ocupada por Paulão. Priscila “herda” a cadeira de Dayany.

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Ver todasAs perdas dos mandatos foram determinadas pela Mesa Diretora, sem votação no plenário. Nesses casos, a Câmara apenas formaliza a perda do mandato resultante de uma decisão da Justiça Eleitoral, conforme o artigo 55 da Constituição.
No caso de Paulão, a decisão decorre da retotalização dos votos da eleição de 2022 para deputado federal em Alagoas. A medida foi determinada pela Justiça Eleitoral e comunicada à Câmara pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA perda do mandato de Dayany também resulta de uma mudança no cálculo das vagas da eleição de 2022. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou uma nova totalização dos votos no Ceará, e o resultado alterou a composição da bancada do estado na Casa.
Michelle x Flávio
A nomeação de Priscila Costa ocorre em meio ao atrito público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela disse ter sido desrespeitada e maltratada por ele durante uma conversa telefônica.
O pano de fundo é a articulação do PL no Ceará. Michelle é contra a aproximação da sigla com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do estado, e defende o apoio a nomes mais ligados ao bolsonarismo, como Eduardo Girão (Novo).
A ex-primeira-dama defendia a candidatura da então vereadora Priscila Costa ao Senado, enquanto Flávio conduziu as negociações que levaram o Partido Liberal a apoiar o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes, dentro do acordo firmado com o PSDB.
Entenda a crise
- Priscila Costa tornou-se o principal ponto de divergência entre Michelle e Flávio Bolsonaro após a disputa pela indicação do PL ao Senado no Ceará.
- Enquanto Michelle defende a candidatura da vereadora, Flávio apoia o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) — pai do deputado federal André Fernandes (PL), nome também respaldado pelo diretório estadual da legenda para compor uma chapa ao lado de Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo cearense.
- Na última semana, ela afirmou que Priscila foi “maltratada” durante as negociações internas do partido e acusou aliados de Flávio de articularem para retirá-la da disputa ao Senado.
- Segundo a ex-primeira-dama, a vereadora teve papel decisivo na campanha de André Fernandes (PL) à Prefeitura de Fortaleza em 2024, mas acabou sendo preterida para abrir espaço à aliança política no estado.
A briga levou ao rompimento de Michelle com o enteado Flávio e à saída dela da presidência do PL Mulher. Nesta semana, a ex-primeira-dama anunciou a criação de um novo movimento capitaneado por ela própria e denominado “Imparáveis MB”.
Em comunicado publicado nas redes sociais, o grupo afirmou que a página ficará sob o comando de uma nova equipe, de acordo com as orientações da direção nacional do partido, mas declarou que Michelle Bolsonaro “não vai parar”.










