PGR investiga “Malafaia fake” por denúncias a autoridades com foro

O falso Silas Malafaia apresentou seis notícias de fato no Ministério Público Federal (MPF) contra pessoas com foro no STF

atualizado 18/12/2021 9:49

Um cidadão estaria se passando pelo pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), para denunciar importantes nomes da República.

O caso é investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), apurou o Metrópoles. O cidadão, que não teve o nome verdadeiro revelado, pode responder por falsidade ideológica.

O falso Silas Malafaia (ou Malafaia Fake) ingressou com ao menos seis notícias de fato no Ministério Público Federal (MPF).

Na prática, essas representações são demandas dirigidas aos órgãos da atividade-fim do Ministério Público Federal e submetidas à apreciação das procuradorias.

Ele denuncia, segundo o procurador-geral da República, Augusto Aras, diversas condutas, em tese, criminosas, praticadas por autoridades com foro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Aras não revela os nomes dos denunciados. Porém somente o presidente da República, seu vice, ministros de Estado, deputados federais, senadores, comandantes das Forças Armadas e ministros do próprio STF têm foro privilegiado na Suprema Corte.

As notícias de fato apresentadas pelo falso pastor bolsonarista têm ajudado a sobrecarregar a PGR.

O PGR informou, em manifestação enviada à ministra Cármen Lúcia, do STF, que entre janeiro e novembro deste ano ao menos 412 representações criminais foram enviadas à procuradoria e tratadas com priorização da adoção de diligências preliminares antes de serem arquivadas ou transformadas em inquéritos.

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No ano passado, esse quantitativo alcançou número superior a 1 mil representações criminais, acrescentou Aras. Em desfavor do presidente da República, Jair Bolsonaro, apenas nos últimos 12 meses, foram instauradas 25 notícias de fato.

“Essas representações, de volume inegavelmente expressivo, são processadas como notícias de fato na Procuradoria-Geral da República justamente para funcionarem como uma espécie de purificador e de anteparo à Corte Constitucional, a fim de não sobrecarregar a já pesada estrutura investigativa do Supremo Tribunal Federal, evitando-se que centenas de representações, algumas apócrifas, desconexas e/ou infundadas, aterrizem direta e desnecessariamente no campo da supervisão judicial da Suprema Corte”, explica Aras.

O Metrópoles tentou acesso às investigações sobre o falso Silas Malafaia, mas a PGR informou que a apuração está em sigilo.

O pastor bolsonarista, o verdadeiro, foi procurado para comentar a reportagem e informar se tem ciência de que o nome dele estaria sendo usado de maneira inapropriada, mas não se manifestou. O espaço segue aberto.

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