PF vê Paulo Figueiredo como braço de Eduardo nos EUA por sanções

Investigadores consideram que nome de Paulo Figueiredo seria inevitável diante de produção de provas do próprio sobre sanções a autoridades

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
Foto colorida de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro juntos - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro juntos - Metrópoles - Foto: Reprodução

Investigadores da Polícia Federal (PF) passaram a incluir, de forma oficial, o nome do jornalista e youtuber Paulo Figueiredo no inquérito que apura a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por suspeitas dos crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.


Entenda

  • Paulo Figueiredo foi inserido no inquérito da PF contra Eduardo Bolsonaro.
  • Paulo é neto de João Figueiredo, último presidente da Ditadura Militar que governou o país entre 1964 e 1985.
  • Para investigadores, o próprio jornalista produziu provas contra si ao dizer que articulou sanções ao STF.
  • Neto do ex-presidente disse que conseguiu poupar de sanções Gilmar e Barroso.

O nome de Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo, era tratado como “inevitável” no âmbito do inquérito. A inclusão foi motivada pela atuação conjunta com Eduardo nos EUA, onde ambos estariam empenhados em aplicar sanções a autoridades brasileiras — entre elas, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da própria PF.

Conforme detalharam fontes ouvidas pelo Metrópoles, parte das provas que embasaram o avanço das investigações foi produzida pelo próprio Figueiredo nas redes sociais. Em uma das postagens, o jornalista afirma ter sido responsável por intermediar, junto ao governo norte-americano, a exclusão dos ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes de um pacote de sanções que, por fim, foram direcionadas apenas ao ministro Alexandre de Moraes — parte dos magistrados, entretanto, tiveram seus vistos revogados.

A PF vê Figueiredo como um “braço” de Eduardo nos EUA para viabilizar as sanções.

Outro episódio usado como base da apuração ocorreu em 7 de maio. Figueiredo publicou foto ao lado de Eduardo Bolsonaro, na Casa Branca, e indicou estar organizando novas reuniões em Washington (DC) com o objetivo de discutir sanções adicionais contra o magistrado responsável pela ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído — salvo eventual pedido de prorrogação — e foi instaurado após solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao ministro Alexandre de Moraes. A PGR sustenta que Eduardo Bolsonaro tem adotado um “tom intimidatório” para interferir no julgamento da ação penal contra o ex-presidente.

“A ameaça consiste na perspectiva de imposição de medidas punitivas pelo governo norte-americano, que o sr. Eduardo, apresentando-se como alguém particularmente influente junto a ele, diz haver conseguido motivar, concatenar, desenvolver e aprovar em diversas instâncias. As punições estariam prontas para serem implementadas — gradual ou imediatamente — contra autoridades que o investigam, bem como ao seu pai e a correligionários. Essas autoridades integram a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal”, escreveu o procurador-geral Paulo Gonet, ao justificar o pedido.

Para Gonet, as ações do parlamentar seriam uma resposta ao que considera ser uma “perseguição política” contra ele e seu pai, apontado pela PGR em denúncia no STF como líder de uma organização criminosa que tentou romper com a ordem democrática e se manter na Presidência da República, mesmo após o resultado das eleições de 2022.

Inquérito

O filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se afastou da Câmara em março deste ano e passou a morar nos EUA, onde, segundo ele, denuncia os abusos supostamente cometidos pelo ministro Alexandre de Moraes. O requerimento da PGR atende a uma representação do também deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara.

No documento, Gonet argumenta que o objetivo do deputado é embaraçar o andamento do julgamento técnico no STF, além de atrapalhar os trabalhos em curso no inquérito das fake news, também em tramitação na Corte.

“As medidas referidas nas manifestações do sr. Eduardo Bolsonaro, nos seus próprios dizeres, englobam cassação de visto de entrada nos EUA, bloqueio de bens e valores que estejam naquele país, bem como a proibição de estabelecer relações comerciais com qualquer pessoa física e jurídica de nacionalidade americana ou que tenha negócios nos Estados Unidos”, escreveu Gonet.

Réu no STF, Paulo Figueiredo foi denunciado pela PGR em fevereiro deste ano por divulgar desinformação com teor golpista e antidemocrático, no contexto das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?