PF vê 2ª delação de Vorcaro “fraca” e vai se concentrar em outras frentes

Investigadores podem concluir inquérito sem colaboração de Daniel Vorcaro. Eles devem focar em depoimentos e delação de ex-BRB

atualizado

metropoles.com

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Foto colorida de rosto de homem pardo, com barba. Ele usa um blazer preto - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de rosto de homem pardo, com barba. Ele usa um blazer preto - Metrópoles - Foto: Reprodução

Com a possibilidade de segunda rejeição da delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Polícia Federal deve se concentrar na colaboração e depoimentos de outros investigados na Operação Compliance Zero.

Assim como a anterior, a segunda tentativa de delação é considerada “fraca” por investigadores ouvidos pelo Metrópoles.

A primeira expectativa está nas informações do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. Preso preventivamente desde 16 de abril, ele tem escrito os anexos de sua proposta de delação na cadeia.

Na decisão que autorizou a prisão preventiva do ex-presidente do BRB, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que o ex-executivo foi “peça essencial” na compra de títulos podres do Master. Ele teria sido pago com seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146 milhões.

Em janeiro deste ano, em depoimento à PF, Costa afirmou que cobrou Vorcaro por informações sobre a Tirreno. O Master teria usado a companhia em transações bilionárias com Banco de Brasília que levantaram suspeitas de fraude e inexistência de crédito.

O ex-sócio do Master Augusto Lima também é tratado como peça-chave nas fraudes do principal inquérito da PF sobre Master com a ligação Tirreno, Cartus e BR. Ele foi preso na primeira fase da operação em novembro do ano passado, mas posteriormente solto.

Outros presos na operação também devem ajudar a Polícia Federal a desmembrar todo o esquema fraudulento do Master. São eles:

  • Fabiano Zettel (cunhado de Daniel Vorcaro) — Suspeito de ser o operador financeiro da organização criminosa do dono do Master.
  • Henrique Vorcaro  (pai de Daniel Vorcaro.) — É investigado como um integrante de A Turma, milícia privada do banqueiro, e suspeito de ajudar a ocultar o patrimônio do filho.
  • Felipe Cançado (primo de Daniel Vorcaro) — Investigado como operador financeiro de esquema que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
  • Daniel Monteiro (advogado de Daniel Vorcaro) — Apontado como arquiteto jurídico do banqueiro.
  • Anderson da Silva Lima (policial federal) — Suspeito de repassar ao dono do Master informações sigilosas da PF.
  • David Henrique Alves (especialista em tecnologia) — Descrito pela investigação como líder do núcleo tecnológico de A Turma.

Sem delação

As duas propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro foram consideradas frágeis e sem novidades para a Polícia Federal.

Entre os investigadores, há o consenso de que se passou tempo demais desde o início do inquérito e que isso teria atrapalhado o banqueiro, pois há poucas coisas que a PF e a PGR ainda não alcançaram com a extração dos dados dos celulares apreendidos.

A primeira proposta, coordenada pelo advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, foi rejeitada pelos investigadores ao ser classificada como “inconsistente” principalmente por omitir episódios graves que a polícia havia descoberto anteriormente, como a suspeita de mesada para o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A segunda delação foi apresentada pela defesa do banqueiro na semana passada, que passou a ser liderada pelo criminalista Sérgio Leonardo no fim de maio.

Os investigadores também destacam que, embora seja um pouco mais aprofundada do que a primeira, a colaboração ainda é insuficiente para a investigação e carecem de informações mais claras.

As novas descobertas da Polícia Federal na fraude bilionária envolvendo o Banco Master deixaram a delação premiada do banqueiro em segundo plano.

Daniel Vorcaro foi preso em 4 de março no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).

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