Caso Master: PF rejeita delação de Daniel Vorcaro
Polícia Federal (PF) aponta omissões em proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro. Defesa tentou último acordo para evitar rejeição
atualizado
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A Polícia Federal (PF) rejeitou, nesta quarta-feira (20/5), a proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e preso preventivamente no âmbito da operação Compliance Zero.
A decisão foi comunicada aos advogados do banqueiro. A informação foi revelada pela Veja e confirmada ao Metrópoles.
A PF apontou que a colaboração apresentada continha omissões relevantes e tentativas de preservar figuras influentes de Brasília, supostamente envolvidas nas fraudes financeiras investigadas.
Os anexos entregues pela defesa foram considerados insuficientes e sem utilidade prática para o avanço da delação.
Mudança de cela
O impasse em torno da delação também provocou mudanças na situação prisional do banqueiro. Nessa segunda-feira (18/5), como antecipou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso desde março.
Até então, o empresário permanecia em uma sala especial da corporação — a mesma utilizada anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período em que esteve detido.
Com a mudança, Vorcaro passou a ocupar uma cela destinada a presos em trânsito pela superintendência.
Aliados do banqueiro afirmam que o novo espaço possui estrutura precária e condições inferiores às de unidades prisionais por onde ele já passou, incluindo a Penitenciária da Papuda e a Penitenciária Federal de Brasília.
Além da transferência, a PF restringiu o acesso dos advogados ao investigado. A partir de agora, a defesa poderá visitá-lo apenas duas vezes ao dia, durante 30 minutos em cada encontro e sem instrumentos de trabalho. Antes, os advogados tinham acesso livre entre 9h e 17h.
Relembre as fases da operação e o papel de Vorcaro
A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e monitoramento ilegal ligado ao Banco Master.
O principal alvo é o banqueiro Daniel Vorcaro.
- 1ª fase — novembro de 2025: a PF prendeu Vorcaro e outros executivos do banco. Foram apreendidos carros de luxo, relógios, obras de arte e R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo.
- 2ª fase — janeiro de 2026: a investigação avançou sobre familiares e aliados do banqueiro. O STF autorizou buscas em cinco estados e bloqueou R$ 5,7 bilhões em ativos.
- 3ª fase — março de 2026: Vorcaro voltou a ser preso. A PF passou a investigar suspeitas de ameaça, corrupção, invasão de dispositivos e atuação de uma suposta “milícia privada” ligada ao banqueiro.
- 4ª fase — abril de 2026: a operação mirou supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e o BRB. Investigadores apuram possível uso de imóveis para lavagem de dinheiro.
- 5ª fase — maio de 2026: a PF chegou ao núcleo político do caso e mirou o senador Ciro Nogueira, suspeito de receber repasses ligados ao esquema.
- 6ª fase — maio de 2026: o pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso. A operação também atingiu policiais suspeitos de participação no esquema.
Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro seria o principal articulador do esquema investigado, envolvendo fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e monitoramento ilegal de adversários e autoridades.
As mudanças ocorreram após autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), para que Vorcaro passasse a seguir as “regras ordinárias” de funcionamento da Superintendência da PF.
Segundo investigadores, o endurecimento das condições ocorreu em meio ao desgaste nas negociações do acordo de colaboração. A avaliação interna é de que o banqueiro vinha omitindo informações e poupando personagens considerados centrais no esquema investigado.
A defesa ainda tentou apresentar uma nova versão da proposta de delação nos últimos dias, numa tentativa de evitar o fracasso definitivo das negociações.