Petistas buscam diminuir resistência de militância à chapa com Alckmin

Em discursos, Lula e aliados falam que disputa contra Bolsonaro será "difícil" e exigirá alianças mais amplas

atualizado 10/03/2022 20:14

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participa nesta manhã de quinta-feira,10, no hotel Nobile Downtown, da reunião “Mulheres com Lula para reconstruir o Brasil”, organizada pela Secretaria Nacional de Mulheres do PT e pela presidente do partido, deputada Gleisi Hoffmann (PT). Foto: Fábio Vieira/MetrópolesFábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – Tudo caminha para que o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (sem partido) seja de fato o vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na próxima disputa para o Planalto. Na cúpula da legenda, essa escolha é pacífica, mas a militância “raiz” do PT, composta principalmente por movimentos sociais e entidades sindicais, ainda mostra resistências.

Por isso, em discursos recentes, Lula e seus aliados tentam desde já diminuir a rejeição a essa aliança – e também a união com partidos de centro –, ainda que ela não esteja oficializada. A justificativa é que a eleição de outubro será “muito dura” e que os campos progressistas precisarão lutar contra uma “máquina de desinformação” do bolsonarismo, o que só seria possível com uma união ampla que não se limita aos tradicionais atores da esquerda.

Em encontro com mulheres realizado em São Paulo nessa quinta-feira (10/3), Lula disse que “não existe essa de já ganhou” e que não será um pleito fácil, ainda que o petista lidere as pesquisas de intenção de votos. Ele defendeu o diálogo com políticos de diversos partidos e orientações ideológicas, mesmo aqueles que no passado divergiram do PT.

“Eleição a gente só sabe o resultado depois da apuração, então vamos precisar ter muita habilidade de construir as nossas alianças, de conviver com pessoas. Tem gente que fala ‘pô, Lula, mas você conversou com pessoas que votaram no impeachment’. Se eu não for conversar com um cara que votou no impeachment, eu vou deixar de conversar com pelo menos 400 deputados”, falou.

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“Eu quero construir um leque de pessoas que ajuda a governar este país para a gente mudar. Quando a gente ganhar, a gente vai ter que ter maioria na Câmara, no Senado. Como construir? Nós estamos construindo um processo eleitoral”, acrescentou.

No mesmo evento, o discurso foi corroborado pela deputada Jandira Feghali, do PCdoB, partido que anda lado a lado historicamente com o PT. Ela pediu “compreensão” às mulheres presentes em relação à “unidade ampla” com partidos e políticos.

“Nós vamos precisar ter a compreensão de que, para derrubar o fascismo, precisaremos acolher todos aqueles que sejam ‘fora Bolsonaro’. Vamos precisar ter compreensão, porque estamos num momento duro da vida brasileira. O núcleo hegemônico desse processo precisa ser a esquerda, mas vamos enfrentar uma luta duríssima. Vamos precisar ter muita atitude para garantir a eleição e a governabilidade de Lula”, falou.

A deputada Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores, foi mais uma a destacar o cenário atípico das eleições deste ano para justificar as coalizações amplas que a legenda tem buscado.

A federação com o PSB não vingou, mas o PT segue em conversas com o PV e pretende expandir mais o leque, inclusive para siglas de centro. Segundo Gleisi, o partido trabalha para conseguir se unir com PSol, Solidariedade, MDB e PSD.

“Nós sabemos que a disputa vai ser dura. Vamos disputar com alguém que está sentado na cadeira, que tem muita estrutura, está soltando dinheiro, que usa fake news, que tem uma máquina pesada na comunicação de redes e vai fazer de tudo para ganhar. Embora o presidente esteja à frente nas pesquisas, Bolsonaro possui uma resiliência, as pessoas precisam ter consciência disso. E não é uma eleição como as outras, você tá disputando com a extrema-direita. Devemos preparar nossa tropa bem para isso”, disse Gleisi.

Haddad

Na semana passada, o pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad também adotou um discurso parecido, e defendeu a eventual chapa Lula-Alckmin, lembrando que o PT já precisou fazer alianças com adversários históricos em outros momentos. Reforçou que será “uma eleição duríssima” e que “nunca o extremismo de direita esteve tão forte”.

“Para derrotar o Paulo Maluf em SP, tivemos que fazer duas alianças com o PSDB, em 1998, para reeleger o Covas, e, em 2000, para tentar eleger a Marta. A política exige que você reconheça qual é a ameaça que o Estado está sofrendo. A ameaça hoje é de você ter a manutenção de um quadro em que a direita mais extremada está no poder no governo federal”, afirmou.

A chapa Lula-Alckmin, entretanto, só deve ser oficializada em abril. E até lá há algumas indefinições. Uma delas é o partido a que o ex-tucano irá se filiar – o mais cotado é o PSB. O PT pretende formalizar a pré-candidatura de Lula na primeira quinzena de abril, em um evento com Haddad e membros do PSol. Somente depois disso é que o petista deve colocar seu “bloco na rua” oficialmente, e viajar o país.

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