Pesquisa: Brasil tem 334 células neonazistas em atividade

Antropóloga da Unicamp mapeou grupos, que em sua maioria interagem pela internet. São Paulo concentra fóruns

atualizado 19/11/2019 12:27

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Uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) contabilizou ao menos 334 células neonazistas em atividade no Brasil. A antropóloga e professora Adriana Abreu Magalhães Dias mapeou os grupos, que se concentram nas regiões Sul e Sudeste.

Os dados inéditos fazem parte de um livro que a docente irá publicar. Adriana identificou 17 movimentos distintos, entre hitleristas, supremacistas/separatistas, de negação do Holocausto ou seções locais da Ku Klux Klan. As células são compostas por grupos de três a 40 pessoas.

A pesquisa mostra que há registros de grupos localizados em cidades como Fortaleza, João Pessoa, Feira de Santana (BA) e Rondonópolis (MT). Porém, o estado com mais células é São Paulo, com 99 grupos, sendo 28 só na capital. Santa Catarina vem logo atrás com 69 células, seguido por Paraná (66) e Rio Grande do Sul (47).

Em suas pesquisas especializadas na ascensão da extrema direita, Adriana também identificou mais de 6.500 endereços eletrônicos de organizações nazistas somente em língua portuguesa e dezenas de milhares de neonazistas brasileiros em fóruns internacionais.

Em entrevista ao jornalista Matheus Pichonelli, do UOL, a pesquisadora afirma que, normalmente, no Brasil, as células não se conectam, a não ser as grandes.

“São grupos de pessoas que conversam, que se reúnem, e eu localizei essas reuniões por sites na internet, blogs ou fóruns. Nenhum deles tem uma corrente única. Eles leem autores que, pelo mundo, brigam um com o outro”, explicou.

A antropóloga conta que a finalidade dessas reuniões vai desde a própria leitura de textos nazistas quanto à incitação à agressões físicas contra homossexuais. A antropóloga afirma que os grupos estão presentes no Twitter e promovem uma postagem antissemita a cada quatro segundos.

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