“Pediu ajuda, mas eles mataram”, diz mulher de vítima no Jacarezinho

Esposa do pedreiro Jonas do Carmo dos Santos afirmou que a polícia alterou a cena do crime. Marido, segundo ela, tinha ido comprar pão

atualizado 07/05/2021 19:58

Moradores fazem protestgo no dia seguinte da operação que deixou 25 mortosAline Massuca/ Metrdópoles

A esposa de uma das vítimas da Operação Exceptis, que deixou 25 mortos na comunidade do Jacarezinho (RJ), relatou que o marido, o ajudante de pedreiro Jonas do Carmo dos Santos, de 32 anos, foi morto em um beco da comunidade ao sair para comprar pão.

A mulher contou ao site Extra que Jonas foi atingido primeiro por um tiro na perna. Caído no chão, ele chorou e pediu ajuda, segundo a mulher. Em seguida, ela conta, foi alvejado e não resistiu.

“Eu estava deitada quando ele saiu. Se eu soubesse que o meu marido seria executado, eu não teria deixado ele sair. Ele foi alvejado em um dos becos no acesso à padaria. O meu marido foi baleado na perna, chorou, pediu ajuda, mas eles mataram o meu marido”, diz a auxiliar de serviços gerais, de 25 anos.

Jonas deixou dois filhos, um de 7 anos e outro de 1 mês. Ele e a esposa estavam juntos há sete anos.

Segundo a auxiliar de serviços gerais, foi a sobrinha que informou que o pedreiro havia sido baleado. Os familiares confirmam que ele estava “na rua, na hora errada e no momento errado” e acusam a polícia de ir à comunidade para matar. Segundo a família, policiais alteraram a cena do crime.

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“A sobrinha dele começou a mandar mensagens dizendo que o tio tinha morrido. Eu disse pra ela que ele tinha ido comprar pão e que não poderia ser verdade. É que eu não quis acreditar. Eu fiquei nervosa porque tenho dois filhos, um recém-nascido. Eu saiu pela rua procurando ele e descobri que ele estava no acesso à padaria. Os moradores contaram que ele gritou “aí, aí, aí” após ser baleado na perna, e depois foi executado. Se ele tivesse ido para o hospital e sido preso, seria lucro. Eles foram para matar e não prender. Eles estão falando uma coisa que não é”, relata.

Segundo a família do pedreiro, ele já havia sido preso anos atrás e, por isso, fazia uso de tornozeleira eletrônica. A auxiliar de serviços gerais contou que a família não encontrou o equipamento no corpo do rapaz.

“Não achamos a tornozeleira. Eles mexeram nos corpos. Eles modificaram a cena [do crime]”, finaliza.

A operação

Levantamento realizado pelo Instituto Fogo Cruzado mostra que a Operação Exceptis, deflagrada pela Polícia Civil nessa quinta-feira (6/5), na comunidade do Jacarezinho, é a mais letal da história do Rio de Janeiro. Até às 15h, 25 pessoas haviam sido mortas — entre elas, um policial civil.

O agente André Frias, da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), morreu após ser baleado na cabeça. Levado ao Hospital Municipal Salgado Filho com quadro clínico considerado grave, ele não resistiu. Outros dois policiais também foram atingidos de raspão no braço e panturrilha e têm quadros estáveis.

Em nota, a Polícia Civil informou que a ação, batizada de Operação Exceptis, é resultado de investigação contra a organização criminosa que atua na comunidade e coordenada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

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