Pastor da Tabernáculo da Fé é investigado em GO por crimes sexuais

Quatro mulheres, incluindo uma adolescente, denunciaram o pastor Joaquim Gonçalves da Silva. Casos teriam ocorrido entre 2002 e 2021

atualizado 10/06/2021 15:57

pastor Joaquim Gonçalves Silva da tabernáculo da fé, em goiânia, é investigado por crimes sexuaisReprodução

Goiânia – O pastor Joaquim Gonçalves da Silva, de 85 anos, foi denunciado por mulheres, incluindo uma menor de 17 anos, por supostos crimes sexuais. Ele atua na igreja Tabernáculo da Fé, em Goiás, e existem investigações em aberto no Ministério Público de Goiás (MPGO) e na Polícia Civil (PCGO).

Os casos teriam acontecido entre os 2002 e 2021, durante atendimento do pastor no interior da igreja, que fica em Goiânia. A defesa dele nega as acusações e diz que se trata de uma história criada para tentar retirá-lo do comando da igreja.

Segundo o portal G1, pelo menos quatro mulheres teriam registrado denúncia contra o pastor. O caso mais recente foi o de uma adolescente de 17 anos, que está sendo apurado em segredo pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Ela chegou a publicar um vídeo nas redes sociais, no qual conta que o abuso teria ocorrido no dia 6 de janeiro deste ano. Segundo a jovem, o pastor a beijou, quando ela esteve no escritório dele pedindo ajuda e aconselhamento sobre o seu casamento, que estava em crise.

A adolescente diz que teve medo dos julgamentos dos integrantes da igreja e que só teve coragem de denunciar os abusos três meses depois, quando soube que outras mulheres tinham passado pelo mesmo que ela. A ocorrência foi registrada no dia 26 de março deste ano.

“Fui pedir conselhos depois de ter problemas no meu relacionamento. Foi quando ele colocou a mão no meu corpo e me deu um beijo. Passou a mão pelos meus seios e desceu até embaixo, quando eu o interrompi. Eu fiquei em choque, nunca na vida eu esperei isso dele”, contou.

Vulnerabilidade

O relato se assemelha ao de outras três mulheres que se apresentam como vítimas do pastor, no que se refere ao momento de fragilidade. Elas contam ainda que, após serem abusadas, foram chantageadas para não contar para ninguém o que havia ocorrido.

As mulheres têm 37, 40 e 46 anos de idade. Elas registraram denúncia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), mas, em razão do tempo decorrido até o registro, não foi dado prosseguimento, pois os casos já prescreveram.

Os casos dessas mulheres aconteceram em 2015, 2018 e uma delas diz ter sido abusada várias vezes entre 2002 e 2006. O Metrópoles entrou em contato com os advogados das três e aguarda um retorno para mais detalhes.

De toda forma, segundo a Polícia Civil, os relatos dessas mulheres fortalecem a suspeita e servirão de embasamento para o caso da adolescente que foi registrado em tempo hábil para abrir investigação.

Chantagens

Ao G1, uma delas contou que fazia trabalhos voluntários na igreja e que o pastor falava que, se ela contasse para alguém, iria tirá-la do trabalho que ela amava fazer. “Depois, quando contei para minha família, ele mandou um aviso, pelo meu irmão, que alguém iria machucar eu, meu marido e meu filho, caso eu o denunciasse”, contou.

No MPGO, o caso é investigado pelo promotor Joel Pacífico de Vasconcelos.

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