Partidos com ministérios ajudaram a derrubar veto de Lula à dosimetria
Veto do presidente foi derrubado com 318 votos favoráveis na Câmara dos Deputados e 49 no Senado
atualizado
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Partidos que compõem ministérios no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contribuíram para a derrubada do veto do petista ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria. A votação dessa quinta-feira (30/4) ampliou a lista de derrotas de Lula no Legislativo e aprofundou o descompasso entre governo e Congresso.
Levantamento feito pelo Metrópoles mostra que sete partidos contemplados com ministérios votaram a favor do PL que reduz penas dos condenados pelos atos de 8/1 e que também pode favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O veto do presidente foi derrubado com 318 votos favoráveis na Câmara dos Deputados e 49 no Senado.
O levantamento leva em consideração partidos que atualmente comandam pastas e também aqueles que deixaram a Esplanada dos Ministérios até o prazo final para desincompatibilização, no dia 4 de abril, quando alguns ministros deixaram os postos para disputar as eleições de outubro.
Partidos com ministérios que votaram para derrubar veto
O Partido Social Democrático (PSB), partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, constituiu uma aliança com o petista desde a campanha eleitoral de Lula em 2022. Apesar da parceria no Palácio do Planalto, a legenda foi uma das que divergiu em votos durante apreciação do Congresso Nacional ao PL da Dosimetria.
Um deputado e três senadores do PSB votaram a favor da derrubada do veto de Lula. Além da vice-presidência, o partido comanda o Ministério do Empreendedorismo, agora chefiado pelo ex-deputado federal Márcio França.
O Partido Democrático Trabalhista (PDT) comanda o Ministério da Previdência, com Wolney Queiroz. Antes dele, o presidente da sigla, Carlos Lupi, também chegou a chefiar a pasta — ele deixou o posto em meio ao escândalo de desvios e fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O PDT chegou a ensaiar um rompimento com o governo após a saída de Lupi, anunciando inclusive que passaria a ser independente na Câmara. Neste ano, a direção nacional da sigla já sinalizou que deve apoiar a campanha de Lula à reeleição. Na Câmara, o partido deu oito votos pela manutenção do veto e outros dois pela derrubada. No Senado, foram dois votos pela permanência do veto à dosimetria.
Centrão divergiu em votos
Embora se posicione como um dos principais partidos do Centrão e acumule divergências com o governo Lula, o União Brasil também foi uma das siglas com ministérios que divergiu em votos, tendo dois senadores e 40 deputados que votaram a favor da derrubada do veto de Lula — apenas quatro deputados do União votaram pela permanência do veto.
A sigla, no início deste terceiro mandato, chegou a comandar três pastas na Esplanada dos Ministério. Entre os ministérios, o do Desenvolvimento Regional e das Comunicação, que são chefiados por pessoas indicadas por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado e apontado como um dos precursores da derrota histórica de Lula na rejeição à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Também é atribuído ao União Brasil o comando do Ministério do Turismo. Deputados federais do União Brasil e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foram responsáveis por indicar o atual ministro, Gustavo Feliciano.
Outro partido que divergiu na apreciação do PL no Congresso Nacional foi o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A legenda foi alocada na Esplanada dos Ministérios como mais um aceno de Lula ao Centrão e, assim como o União Brasil, também foi favorecido com pastas na gestão Lula.
Entre elas o Ministério dos Transportes, que era comandado por Renan Filho, e o Ministério das Cidades, chefiado por Jader Barbalho. Ambos deixaram os postos para concorrer a cargos nas eleições de outubro.
O Progressistas (PP) e o Republicanos comandavam os ministérios dos Esportes (André Fufuca) e de Portos e Aeroportos (Silvio Costa Filho), respectivamente. Os dois também pediram demissão para disputar as eleições. Na análise do veto de Lula, as duas siglas deram 11 votos pela derrubada e apenas um voto pela manutenção no Senado. Na Câmara, foram 74 votos pela derrubada e 4 pela manutenção.
Enquanto chefiava o Ministério dos Esportes, Fufuca chegou a protagonizar um embate com a cúpula do PP pela permanência dentro da gestão petista.
Comandado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), o partido anunciou um desembarque do governo Lula em setembro de 2025. Na ocasião, o União Brasil também fez o mesmo movimento. André Fufuca chegou a ser afastado das funções dentro do partido para seguir à frente do ministério.
