Paraisópolis: bombeiro cancelou chamado das vítimas ao Samu

Os moradores relataram que os agentes não deixavam as pessoas prestarem socorro às vítimas e chegaram a ameaçar quem tentava ajudar

Yago Sales/Esp. para o MetrópolesYago Sales/Esp. para o Metrópoles

atualizado 03/12/2019 15:56

Sobreviventes e testemunhas da tragédia no baile funk, em Paraisópolis, no último domingo (01/12/1994), afirmaram que policiais militares impediram o socorro de vítimas na hora da confusão. ]

De acordo com informações do G1, o único chamado feito ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi cancelado por um soldado do Corpo de Bombeiros.

Os moradores relataram que, além de bater, os agentes não deixavam as pessoas prestarem socorro às vítimas e chegaram a ameaçar quem tentava ajudar.

“Quando a gente chegava perto, eles vinha com a arma para cima. A gente falava que queria salvar os que estavam lá. ‘Não é pra salvar ninguém'”, disse uma testemunha não identificada por questões de segurança.

A irmã de uma das vítimas, Dennys Guilherme Franca, 16 anos, contou que os oficiais também impediram que um amigo socorresse o irmão. “Ele caiu e um amigo foi socorrer e o policial falou ‘pode deixar que a gente cuida dele'”, disse Fernanda Garcia.

Samu
A Prefeitura de São Paulo confirmou que o único chamado para o Samu foi cancelado por um soldado do Corpo de Bombeiros sob alegação de que as vítimas já haviam sido socorridas pelos PMs.

A ligação aconteceu às 4h18 do domingo (01/12/2019). Às 4h20, o Samu transferiu o atendimento de uma viatura para a outra. Às 4h29, 11 minutos após o chamado, a ambulância ainda não havia chegado ao local. O Samu ainda trocou mais uma vez de viatura e às 4h47 a chamada foi cancelada.

Nove pessoas morreram pisoteadas e 12 ficaram feridas durante o tumulto.

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