Para ir ao segundo turno, Russomanno muda estratégia e põe Boulos na mira

Candidato do Republicanos à prefeitura de SP já foi ultrapassado por Bruno Covas (PSDB) e teme aproximação de Guilherme Boulos (PSol)

atualizado 31/10/2020 12:07

Russomanno em campanhRafaela Felicciano/Metrópoles

São Paulo – A campanha do deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) à prefeitura da capital paulista está sob enorme pressão. Fantasma de pleitos passados, o derretimento do candidato na reta final da corrida eleitoral é uma realidade. As últimas pesquisas mostraram quedas na casa dos 5 pontos e, nas duas semanas que antecedem a votação, Russomanno muda de estratégia para tentar se segurar no segundo lugar e ir ao segundo turno.

A principal mudança é na percepção sobre quem é o adversário. Até aqui, o candidato do Republicanos vinha centrando os ataques no candidato à reeleição, Bruno Covas, e em seu padrinho, o governador João Doria (ambos do PSDB).

Diante dos resultados das pesquisas, porém, a equipe de Russomanno resolveu apontar todos os canhões para o adversário Guilherme Boulos (PSol), ameaça real às pretensões de segundo turno.

Na última pesquisa Ibope/Rede Globo/Estadão, divulgada na última sexta (30/10), Russomanno, que liderou a corrida desde a pré-campanha, aparece 6 pontos atrás de Bruno Covas nas intenções de voto: 26% a 20%. E Russomanno caiu 5 pontos em relação ao levantamento anterior, enquanto Boulos subiu de 10% para 13%.

A rejeição a Russomanno cresceu forte também, de 30% em 15 de outubro para 38% duas semanas depois.

Além de fazer uma série de ataques a Boulos em propagandas, a campanha de Russomanno resolveu revisitar uma das maiores fontes de críticas ao candidato, um vídeo de 2005 no qual, atuando no programa Patrulha do Consumidor, Russomanno tem uma discussão feia com a então caixa de mercado Cleide Cruz.

Recentemente a equipe do candidato fez uma tentativa de tirar o vídeo do YouTube, mas, diante da exploração por Boulos do episódio – inclusive com a participação da mulher na campanha –, Russomanno publicou o vídeo em suas próprias redes.

Na versão divulgada pelo Republicano, porém, fica em destaque o fim do debate entre os dois, quando a situação já está resolvida e os dois conversam com mais calma. Antes, Russomanno havia chamado a polícia para reivindicar o direito do consumidor de comprar apenas a quantidade de produtos que atendesse sua necessidade, rasgando pacotes de papel higiênico e caixas de fósforo.

“Quem me conhece da Patrulha do Consumidor sabe que eu não sou de humilhar ninguém”, defende-se Russomanno, após mostrar cenas de Cleide Cruz dizendo que ligaria para ele. “Esta é a pura verdade. Boulos, enganar para ganhar votos é tão grave quanto invadir residência”, provoca ainda Russomanno, na tentativa de colar no adversário a imagem de alguém que não respeita as leis.

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Com Bolsonaro

A outra novidade da campanha de Russomano a duas semanas da votação é o mergulho do presidente Jair Bolsonaro na campanha. O apoio tímido que Bolsonaro vinha dando ao aliado se intensificou no fim da semana.

Após pedir votos para Russomanno durante sua live semanal na última quinta (29/10), Bolsonaro se reuniu com o candidato durante passagem pela capital na sexta (30/10) e gravou participações para a propaganda eleitoral.

Importância da reta final

Os números das pesquisas mostram tendências, mas a eleição paulistana não está livre de surpresas, na opinião do cientista político Rui Tavares Maluf, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. “O eleitor tende a prestar atenção na campanha no final, ainda mais em um contexto de pandemia”, avalia ele. “Por isso, é possível dizer que muito provavelmente Bruno Covas estará no segundo turno. Já a segunda vaga está em aberto.”

Para o especialista, Russomanno ainda reúne condições de se manter em segundo, mas corre riscos. “Esse momento de maior atenção do eleitor é um problema para Russomanno, que tem como ponto fraco a falta de uma marca. O que ele oferece? O apoio de Bolsonaro pode ter ajudado no começo, mas a eleição municipal é focada em temas locais e há uma falta de clareza sobre as propostas do Russomanno, sobre o que esperar dele”, analisa o cientista político.

O que pode beneficiar Russomanno, na opinião de Rui Maluf, é Boulos chegar a um teto de aumento nas intenções antes de alcançar o segundo lugar. “Agora o Boulos precisa tirar uma parte dos eleitores simpáticos ao Russomanno e que não sejam simpáticos ao Covas. Tem que buscar, em um espaço muito pequeno de tempo, votos na periferia, votos que também estão sendo disputados pelo PT”, afirma ele. Na pesquisa Ibope, as intenções de voto no petista Jilmar Tatto foram de 4% para 6%.

E é na periferia da cidade que Russomanno pretende intensificar as agendas e também disputar votos com os candidatos de esquerda. Para isso, ele tem batido forte na promessa do Auxílio Paulistano, que seria um complemento ao auxílio emergencial do governo federal, a ser implementado com a ajuda do presidente Jair Bolsonaro, segundo a promessa do candidato do Republicanos.

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