Fonte de nova denúncia, família Constantino tem casa ao lado de Maia

Um dos proprietários da Gol, Henrique Constantino, assinou delação premiada na qual implica o presidente da Câmara

André Borges/Especial para o MetrópolesAndré Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 17/05/2019 15:20

O proprietário da empresa aérea Gol, Nenê Constantino, é vizinho do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foi denunciado pelo filho do empresário, em delação premiada. Henrique Constantino disse às autoridades que teria concedido “benefícios financeiros” ilegais ao presidente da Câmara. Maia nega.

A casa do pai de Henrique fica a apenas 150 metros da residência oficial do presidente da Câmara. Entre uma construção e outra, fica a residência do presidente do Senado, com a qual os proprietários da Gol dividem o muro.

Nenê Constantino, que beira os 90 anos, foi condenado pelo Tribunal do Júri de Taguatinga, no Distrito Federal, pelo assassinato de um motorista de ônibus. À época do crime, o funcionário trabalhava na antiga Viação Planeta, que também pertencia ao empresário. Essa é a segunda condenação penal dele na Justiça do DF – a primeira foi pela morte de um líder comunitário.

Neste momento, porém, Nenê Constantino não se encontra preso no Distrito Federal. De acordo com o Tribunal do Júri de Brasília, um pedido de prisão domiciliar humanitária do empresário está para ser analisado. O órgão aguarda apenas uma carta de sentença. O tribunal não informou onde Nenê está, mas ele também tem residência fixa em São Paulo.

Delação premiada
O empresário Henrique Constantino, filho de Nenê, assinou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e admitiu pagamentos de propina em troca da liberação de financiamentos da Caixa Econômica Federal para empresas da família.

A delação foi homologada pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, e traz acusações contra o ex-presidente Michel Temer (MDB), o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) e o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB).

Além deles, outros nomes de relevo na política nacional foram implicados. Entre eles: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); o presidente nacional do MDB, ex-senador Romero Jucá (RR); o senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI); e o ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT).

Maia 
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse que não conhece e nunca teve nenhum tipo de relacionamento com Henrique Constantino, um dos donos da Gol Linhas Aéreas.

O político carioca afirmou que Constantino está mentindo e que esse será “mais um” dos casos de investigação arquivada. “Nunca me pagou nada, isso é mentira dele. Não tem como provar e vai ser mais um inquérito arquivado na Justiça brasileira”, afirmou Maia, ao chegar para um jantar com empresários e investidores estrangeiros organizado pelo Grupo Safra, em Nova York.

“Nunca tive relação com ele, nunca tive nenhum benefício deles. Como outras delações que já foram arquivadas, como da Odebrecht, essa vai ser também”, complementou o presidente da Câmara.

Maia disse que não conhece o empresário e que vai dar explicações à Justiça com “a maior tranquilidade do mundo”. “Nunca falei com ele na minha vida”, afirmou.

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