Organização criminosa chefiada por Crivella arrecadou R$ 53 milhões, diz MP

Operação desencadeada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil prendeu o prefeito do Rio de Janeiro por suposto esquema de propina

atualizado 22/12/2020 14:46

Marcelo Crivella em entrevista para Rachel SheherazadeRAFAELA FELICCIANO/ Metrópoles

A organização criminosa comandada pelo prefeito afastado do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), teria lucrado pelo menos R$ 53 milhões no esquema de lavagem de dinheiro, afirmou o subprocurador-geral Ricardo Ribeiro Martins, do Ministério Público do estado (MPRJ).

“Apesar de toda a situação de penúria [da prefeitura], que não tem dinheiro nem para o pagamento do 13º [salário], muitos pagamentos eram feitos em razão por conta da propina”, disse o subprocurador-geral, em coletiva realizada no início da tarde desta terça-feira (22/12).

Os investigadores, no entanto, não souberam detalhar como ficou dividido o montante supostamente adquirido de maneira ilegal. “Isso [R$ 53 milhões] foi o arrecadado pela organização criminosa, cujo líder é o Crivella. Quanto foi para cada um, não temos como precisar”, afirmou.

Crivella foi preso nesta manhã. Além do prefeito, outras seis pessoas — entre as quais o empresário Rafael Alves, apontado como o “gerente” do esquema de lavagem de dinheiro — foram alvo de mandados de prisão. Também há um mandado de prisão preventiva expedido contra o ex-senador Eduardo Lopes, mas ele não foi encontrado.

De acordo com o MPRJ, o esquema de propina na Prefeitura do Rio de Janeiro “se esgotaria” com o fim do mandato de Crivella, no próximo dia 31. As supostas tratativas tiveram início ainda durante a campanha eleitoral, em 2016, e miravam as futuras contratações do governo.

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Ricardo Ribeiro Martins negou, no entanto, que a deflagração da operação sete dias antes do fim do mandato teve caráter político. “Se tivéssemos oferecido denúncia antes da eleição, poderiam dizer que estávamos favorecendo um ou outro candidato”, frisou o subprocurador-geral.

O prefeito seria assessorado pelos denunciados Rafael Alves (empresário e irmão de Marcelo Ferreira Alves, ex-presidente da Riotur), Mauro Macedo (ex-tesoureiro de campanhas de Crivella) e Eduardo Benedito Lopes (suplente do prefeito no Senado e ex-presidente regional do PRB no Rio).

Segundo o MPRJ, os três exerciam a função de “aliciadores de empresários para participação em esquemas de corrupção”, voltados para a arrecadação de vantagens indevidas mediante promessas de contrapartidas que seriam viabilizadas pelo prefeito.

Ao autorizar os mandados de prisão, a desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), também decidiu pelo afastamento de Crivella da Prefeitura do Rio de Janeiro. O presidente da Câmara Municipal, Jorge Felippe (DEM), assume o cargo até o fim do ano.

“O prefeito não só tinha conhecimento [do esquema criminoso], mas também autorizava a prática de tais crimes e deles se locupletava”, escreveu a desembargadora.

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