ONU repudia assassinato de líder quilombola e pede investigação rápida
Maria Bernadete Pacífico, yalorixá e ex-secretária de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho (BA), foi assassinada na quinta (17/8)
atualizado
Compartilhar notícia

O Escritório Regional para a América do Sul da ONU Direitos Humanos publicou uma nota, neste sábado (19/8), em que condena o assassinato da liderança quilombola Bernadete Pacífico. A mulher foi morta a tiros em casa, num terreiro religioso, na quinta-feira (17/8), no município de Simões Filho, na Bahia.
O assassinato será investigado pela Polícia Federal (PF).
“A ONU Direitos Humanos manifesta sua solidariedade com a família e a comunidade dessa reconhecida mulher negra, quilombola, representante de uma religião de matriz africana e defensora do seu território”, diz a nota.
Segundo a ONU, Bernadete denunciava amplamente as ameaças sofridas. “Seu apelo foi apresentado a distintas instâncias governamentais, o que demonstrou não ter sido suficiente para protegê-la da violência extrema”.
“Crime terrível”
“A ONU Direitos Humanos convoca o Estado brasileiro a realizar uma investigação célere, imparcial e transparente, e que sejam respeitados os mecanismos de proteção legal para o amparo das comunidades quilombolas, bem como medidas de proteção e reparação para os familiares e a comunidade de Bernadete Pacífico”, pediu.
“Este crime terrível não pode ficar impune. É um lamentável novo exemplo dos perigos que as comunidades quilombolas enfrentam diante da violência daqueles que ameaçam seus territórios e sua cultura”, disse Jan Jarab, representantes da ONU Direitos Humanos na América do Sul.
