O que significa o anúncio feito por Putin para o Brasil?

Especialistas avaliam que os problemas internos se somarão ao saldo do conflito, o que inclui a alta do dólar e do barril de petróleo

atualizado 22/09/2022 13:16

Kay Nietfeld/picture alliance via Getty Images

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta quarta-feira (21/9) a convocação de quase 300 mil reservistas para lutar na guerra da Ucrânia. Decretada após ameaças nucleares, a ordem acendeu um alerta sobre a duração do conflito e a situação de países emergentes, como o Brasil.

O Metrópoles ouviu especialistas sobre o assunto. O economista-chefe da agência classificadora de riscos Austin Raiting, Alex Agostini, por exemplo, afirmou que a manutenção do conflito respinga em economias emergentes. No caso do Brasil, as questões internas, como risco fiscal e falta de reformas estruturantes, serão somadas ao saldo do confronto.

O mercado já espera nova alta do dólar e dos preços do barril de petróleo.

“A situação não será desfavorável, porque Putin tomou uma nova decisão para tentar vencer a guerra. Será somada aos nossos problemas não resolvidos”, completou.

Agostini ainda teceu críticas à “celebração” do Banco Central em antecipar o aumento da taxa de juros básica do país. A política de aumento ocorre desde março deste ano. Para o economista, a decisão do BC tem a ver com indexação e estrutura de preços do Brasil, em que 27% do IPCA refere-se a preços monitorados pelo governo.

Pedro Costa Júnior, professor de relações internacionais e pesquisador da USP, observou que a guerra fará a Europa ter mais privações e alta dos preços, o que também trará consequências ao Brasil. “A Europa precisa do gás russo para sobreviver. Os países do bloco sofrem privações de energia, alta dos preços e inflação”, explicou.

“Putin vai aproveitar a chegada do inverno. A estação proporcionou as duas maiores vitórias bélicas do Exército russo: a primeira, contra Napoleão e, depois, contra Adolf Hitler”, avalia Costa Júnior.

O professor de relações interacionais da PUC/SP Rodrigo Amaral afirmou ao Metrópoles que o movimento russo é uma reação contra as derrotas no nordeste ucraniano e a tentativa de tomada do sul. Neste último, Moscou quer fechar a entrada ao Mar Negro, por onde o governo da Ucrânia recebe armamentos. “Se perder a guerra, ele perde o apoio de uma elite importante no país”, disse.

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