metropoles.com

O que muda com a decisão da UE de por acordo com Mercosul em prática

Medida pode reduzir tarifas, ampliar exportações brasileiras e aumentar a concorrência para a indústria nacional

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Rarrarorro/Gety Images
Imagem colorida das bandeiras do Mercosul e União Europeia - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida das bandeiras do Mercosul e União Europeia - Metrópoles - Foto: Rarrarorro/Gety Images

Na última sexta-feira (27/2), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia vai aplicar o acordo de livre comércio com o Mercosul de forma provisória, para garantir a chamada “vantagem do pioneirismo”.

De acordo com ela, o acordo será plenamente concluído após a aprovação formal das instâncias europeias, incluindo o Parlamento Europeu.

A decisão da União Europeia, segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, reacende expectativas de redução tarifária, ampliação de exportações brasileiras e aumento da concorrência para setores industriais.

O movimento europeu aconteceu após o Paraguai e a Argentina ratificarem o acordo na quinta-feira (26/2). No Brasil, um dia antes, na quarta-feira (25/2), a Câmara dos Deputados aprovou o texto em votação simbólica.

O texto ainda precisa cumprir várias etapas antes de entrar em vigor, como a aprovação do Senado Federal

A medida ocorre em meio a pressões internas no bloco europeu e pode destravar um acordo negociado há mais de duas décadas.

A aplicação do acordo acontece em um momento de reorganização das cadeias globais e de tensões comerciais envolvendo Estados Unidos e China, o que reforça o peso estratégico do acordo.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), o vice-presidente Geraldo Alckmin, o acordo pode entrar em vigor no Brasil até o final de maio.

“Depois de aprovado pelo presidente Lula, o acordo entra em vigência em 60 dias. Se aprovarmos em março, até o fim de maio o acordo pode entrar em vigência”, disse na última sexta em evento em São Paulo.
O que muda com a decisão da UE de por acordo com Mercosul em prática - destaque galeria
7 imagens
Lula durante encontro bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas, em outubro de 2023
Vice Presidente da República Geraldo Alckmin durante Reunião sobre o acordo Mercosul União Europeia no Palácio do Planalto em Brasília.
O texto ainda depende de análise pela comissão especial, que deve ser realizada no mesmo dia da votação no plenário
Bandeira do Mercosul
Máquina em atividade de colheita
Presidente Lula durante reunião com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro (RJ)
1 de 7

Presidente Lula durante reunião com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro (RJ)

Ricardo Stuckert / PR
Lula durante encontro bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas, em outubro de 2023
2 de 7

Lula durante encontro bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas, em outubro de 2023

Ricardo Stuckert/PR
Vice Presidente da República Geraldo Alckmin durante Reunião sobre o acordo Mercosul União Europeia no Palácio do Planalto em Brasília.
3 de 7

Vice Presidente da República Geraldo Alckmin durante Reunião sobre o acordo Mercosul União Europeia no Palácio do Planalto em Brasília.

Cadu Gomes/VPR
O texto ainda depende de análise pela comissão especial, que deve ser realizada no mesmo dia da votação no plenário
4 de 7

O texto ainda depende de análise pela comissão especial, que deve ser realizada no mesmo dia da votação no plenário

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Bandeira do Mercosul
5 de 7

Bandeira do Mercosul

mtcurado/Getty Images
Máquina em atividade de colheita
6 de 7

Máquina em atividade de colheita

Getty Images
Máquina trabalhando na agricultura
7 de 7

Máquina trabalhando na agricultura

Foto: Ag Pará

Entenda o acordo Mercosul-UE

O acordo cria uma ampla zona de livre comércio entre os dois blocos econômicos, com redução gradual de tarifas e barreiras comerciais.

Para a União Europeia, o acordo abre espaço para ampliar exportações de produtos industriais, como automóveis, autopeças, máquinas, equipamentos, medicamentos e bebidas.

Para o Mercosul, composto por composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, o principal ganho está nas exportações facilitadas de produtos agropecuários, como carne, soja, açúcar, etanol e suco de laranja.

O texto também inclui regras sobre compras governamentais, serviços, propriedade intelectual e mecanismos de solução de controvérsias.

Um dos pontos mais sensíveis é o capítulo ambiental, que foi revisado nos últimos anos para incluir compromissos ligados ao Acordo de Paris e ao combate ao desmatamento.


Saiba quais são os benefícios do acordo UE-Mercosul

  • O acordo cria uma zona de livre comércio entre os blocos, facilitando o acesso de produtos brasileiros a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores na União Europeia;
  • Prevê a eliminação gradual de impostos de importação sobre produtos agrícolas e industriais, o que pode baratear exportações brasileiras e aumentar a competitividade das empresas;
  • Setores do agronegócio, como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja e grãos, tendem a se beneficiar com menos barreiras para entrar no mercado europeu;
  • Ao dar mais previsibilidade às regras comerciais, o acordo pode estimular investimentos estrangeiros no Brasil, especialmente em infraestrutura, indústria e tecnologia.

No Brasil, setores do agronegócio serão os principais beneficiados no curto prazo, enquanto a indústria terá ganhos mais graduais, mas com acesso a insumos mais baratos e tecnologia europeia.

Por outro lado, há preocupação com possíveis impactos sobre segmentos industriais menos competitivos, que poderiam sofrer maior pressão de produtos importados. O governo brasileiro afirma que o período de transição previsto no acordo, em alguns casos de até 15 anos, reduz esse risco.

O que acontece agora

Para que o tratado entre em vigor, é necessário que os parlamentos de todos os países do Mercosul aprovem o texto. A Venezuela está suspensa de sua condição de membro pleno do bloco e a Bolívia segue em processo de adesão.

Já na União Europeia, o tratado precisa passar por duas etapas de aprovação, primeiro pelo conselho do bloco e depois pelo Parlamento Europeu.

Apesar disso, no Mercosul, nenhum país finalizou a tramitação do decreto que institui o acordo, enquanto na Europa o texto enfrenta diversas resistências, especialmente França, Itália, Polônia e Hungria.

O principal argumento é a proteção dos agricultores europeus, que temem concorrência desleal com produtos do Mercosul, considerados mais baratos e produzidos sob regras ambientais e sanitárias menos rígidas.

A França lidera o grupo contrário ao texto, pressionando por garantias adicionais sobre rastreabilidade, uso de defensivos agrícolas e preservação ambiental.

Na última sexta, o presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a dizer que a decisão de acelerar a implementação do acordo comercial foi uma “surpresa ruim”.

“Para a França, é uma surpresa, uma surpresa ruim, e, para o Parlamento Europeu, é desrespeitoso”, avaliou. 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?