UE anuncia que colocará acordo com Mercosul em vigor provisoriamente
Segundo presidente da Comissão Europeia, acordo Mercosul-UE só será plenamente concluído após a aprovação do Parlamento Europeu
atualizado
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta sexta-feira (27/2), que a União Europeia aplicará o acordo de livre comércio com o Mercosul de forma provisória, para garantir a chamada “vantagem do pioneirismo”.
A decisão foi anunciada após Argentina e Uruguai concluírem a ratificação do tratado nessa quinta-feira (26/2).
Segundo Von der Leyen, o acordo Mercosul-UE só será plenamente concluído após a aprovação do Parlamento Europeu.
“A Comissão dará agora seguimento à aplicação provisória”, declarou a presidente da comissão em Bruxelas.
Acordo Mercosul-UE
- O tratado prevê eliminação gradual de tarifas sobre produtos agrícolas e industriais, com prazos de até 30 anos;
- União Europeia zerará 95% das tarifas sobre produtos brasileiros;
- Setor agropecuário: 39% das tarifas europeias serão eliminadas já no primeiro ano, incluindo carne, café, soja e suco de laranja;
- Redução de tarifas terá impacto no orçamento brasileiro, com perda estimada de R$ 683 mi em 2026 e até R$ 3,7 bi em 2028.
Acordo ratificado
Por 69 votos a 3, o Senado na Argentina aprovou, nesta quinta-feira (26/2), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Mais cedo, o Congresso do Uruguai também ratificou o acordo.
será plenamente concluído após a aprovação do Parlamento Europeu
Os uruguaios aprovaram o texto por 91 a 2, um dia depois do Senado ter sinalizado positivamente para o tema, por unanimidade. Na Argentina, o tema tinha passado pela Câmara no último dia 13 de fevereiro.
No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou em votação simbólica, na última quarta-feira (25/2), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que cria o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O texto segue agora para análise do Senado.
Segundo a Comissão Europeia, cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações do bloco serão eliminados.
Alemanha e outros defensores do pacto, como a Espanha, afirmam que o tratado é essencial para compensar perdas provocadas pelas tarifas dos Estados Unidos e para reduzir a dependência da China no fornecimento de minerais estratégicos.
Já os críticos, liderados pela França — maior produtor agrícola da União Europeia —, apontam que o acordo pode ampliar significativamente as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, prejudicando agricultores locais, que vêm promovendo protestos recorrentes.
