No Conselho de Segurança da ONU, Brasil evita condenar Putin e Rússia

O discurso do chanceler Carlos França não fez referência à guerra da Ucrânia, nem às ameaças de Vladimir Putin de uma guerra nuclear

atualizado 22/09/2022 17:37

Carlos FrançaEBC

Em discurso feito ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quinta-feira (22/9), o governo brasileiro adotou uma postura neutra em relação à Rússia. O Brasil evitou condenar o país pela invasão da Ucrânia e pelas ameaças do presidente Vladimir Putin de uma guerra nuclear.

O chanceler Carlos França (foto em destaque) reforçou que o objetivo do Brasil é criar condições para que o diálogo possa ser estabelecido entre as partes envolvidas no conflito. “A guerra afeta a todos, até em regiões longe das hostilidades. O Conselho de Segurança é o local apropriado para buscar solução com paz duradoura”, destacou.

O encontro entre os ministros do principal órgão mundial de segurança ocorreu em um momento de tensão desde o início do conflito, diante do decreto da primeira mobilização da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial e da convocação de 300 mil reservistas para lutarem na Ucrânia.

Diferente dos europeus e americanos que se focaram em denunciar a invasão russa e a “irresponsável” menção do Kremlin de um eventual uso de armas táticas, o governo brasileiro não fez referência aos russos nem mesmo ao falar de casos de suspeitas de crimes, já denunciados por órgãos da ONU.

Solução pacífica

Segundo o chanceler russo Sergey Lavrov, o Conselho recebeu informes de violações de direitos humanos, incluindo contra mulheres, crianças e populações mais vulneráveis nos últimos meses.

O Conselho de Segurança ainda pediu “respeito pelo direito humanitário internacional por todas as partes” e defendeu a união dos países para cessar fogo e negociar acordos de paz.

O chanceler brasileiro destacou que a paz só pode ser garantida pela democracia e repetiu a postura contrária do governo brasileiro  às manobras por parte de governos europeus de bloquear a Rússia de organismos internacionais. “A prioridade é criar condições para negociar para uma solução pacífica”, afirmou.

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